Prakash SINGH / AFP
Prakash SINGH / AFP

Acusado de assédio, vice-chanceler da Índia renuncia

As acusações contra o vice-ministro do governo dirigido pelo partido nacionalista hindu BJP surgiram por conta da ascensão do movimento #MeToo na Índia

O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 15h19

NOVA DÉLHI - O vice-ministro das Relações Exteriores da Índia, M.J. Akbar, renunciou nesta quarta-feira, 17, ao cargo para se defender juridicamente das denúncias de pelo menos dez mulheres que nos últimos dias o acusaram de assédio sexual.

"Já que decidi buscar justiça em um tribunal a título pessoal, considero apropriado renunciar ao meu cargo e desafiar as falsas alegações lançadas contra a minha pessoa, também a título pessoal. Portanto, apresentei minha renúncia como vice-ministro das Relações Exteriores", disse Akbar em um breve comunicado divulgado pela agência indiana de notícias ANI.

As acusações contra o vice-ministro do governo dirigido pelo partido nacionalista hindu BJP surgiram por conta da ascensão do movimento #MeToo na Índia, que há três semanas chegou às esferas de Bollywood, a indústria cinematográfica do país, assim como ao mundo artístico e aos veículos de imprensa.

A primeira denúncia surgiu quando a jornalista Priya Ramani compartilhou nas redes sociais um artigo escrito há um ano no qual relata como um "talentoso" e "brilhante" editor a levou a um quarto para uma "entrevista de emprego" e revelou que esse jornalista é o hoje vice-ministro.

"Você é um especialista em telefonemas obscenos, mensagens, elogios inapropriados e não aceita um não como resposta. Sabe como acariciar, esfregar, agarrar e assediar. Falar contra você ainda custa um alto preço que muitas mulheres jovens não podem pagar", escreve em seu artigo a jornalista.

Após o escândalo, vários partidos da oposição exigiram a imediata destituição do vice-ministro e uma investigação do caso.

Na segunda-feira, o vice-ministro apresentou uma denúncia contra Priya por difamação. / EFE

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