Acusado de estupro, presidente de Israel se licencia

O presidente de Israel, Moshe Katsav, anunciou nesta quarta-feira que vai se licenciar do cargo para se defender das acusações de estupro e agressão sexual contra funcionárias.Katsav disse que só vai renunciar se for formalmente indiciado, mas minutos depois o primeiro-ministro Ehud Olmert, ele próprio acusado de corrupção, disse em outro pronunciamento que o presidente deve ir."Não tenho dúvida em meu coração de que o presidente não pode continuar cumprindo seus deveres e que deve deixar a residência presidencial", afirmou Olmert.Em pronunciamento de uma hora, com sua esposa por perto, Katsav disse que vai lutar até o último fôlego contra o que viria a ser um inédito processo penal contra um chefe de Estado em Israel."O Mccarthismo está vivo em Israel", disse ele, referindo-se às perseguições, muitas vezes injustificadas, movidas nos EUA contra supostos comunistas na década de 1950. "Não estou preparado para ceder à chantagem".Katsav disse ter informado o Parlamento sobre a licença, apesar da crescente pressão para que renuncie ao cargo, cuja função é mais cerimonial. Dalia Itzik, presidente do Parlamento, o substituirá interinamente.Em nota na terça-feira, o procurador-geral Menachem Mazuz anunciou sua intenção de indiciar Katsav, 61 anos, por ter supostamente estuprado uma ex-funcionária e agredido sexualmente três outras."Vou lutar para limpar meu nome", disse Katsav pela televisão, quase às lágrimas e dando socos na bancada. "Não realizei nenhuma das ações atribuídas a mim."Judeu do Oriente MédioKatsav nasceu no Irã, cresceu em favelas e serviu de exemplo para os imigrantes judeus mais pobres do Oriente Médio e do norte da África. As acusações provocaram comoção em Israel, onde a presidência é considerada um bastião da moralidade."Não acreditem em difamações e mentiras", disse ele, acusando a imprensa de precipitar-se em julgá-lo. Ele afirmou que as mulheres o denunciaram por vingança após serem demitidas ou terem alguma reivindicação profissional frustrada."São acusações venenosas. Após os fatos ficarem claros, cada cidadão de Israel vai entender a intenção da injustiça sendo feita aqui", afirmou.Pela lei, o presidente não pode ser julgado no cargo, mas poderia ser destituído pelo Parlamento. O mandato de Katsav termina em julho.Ele foi eleito em 2000 pelo Parlamento, derrotando o Nobel da Paz Shimon Peres, em substituição a Ezer Weizman, que renunciou após a descoberta de que havia recebido 450 mil dólares em presentes de um milionário francês. Weizman morreu em 2005.Peres, 83 anos, atualmente é vice-primeiro-ministro e vem sendo cotado para suceder Katsav.

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