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Acusado, 'número 2' do regime chavista justifica pressão sobre donos de jornais

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, confirmou na madrugada de ontem ter pedido à Justiça que impedisse donos de meios de comunicação que o teriam "difamado" de deixar a Venezuela. Dois dos 22 sentenciados por uma juíza caraquenha que estão fora do país prometeram voltar, mesmo sabendo que não poderão sair novamente.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2015 | 02h05

"Acusam-me de ser traficante de drogas sem nenhuma prova", disse Cabello em seu programa Con el Mazo Dando, na televisão estatal. "Eu pedi, como vítima, que eles fossem proibidos de deixar o país."

Desde a eleição de Nicolás Maduro, em 2013, empresários próximos ao governo têm comprado veículos antes críticos ao chavismo e mudado suas linhas editoriais. Entre as exceções, estão os diários El Nacional e Tal Cual, além do site La Patilla, os três sancionados pela Justiça.

O presidente de El Nacional, Miguel Henrique Otero, afirmou ontem ao canal colombiano NTN 24 que voltará à Venezuela mesmo sabendo que não poderá sair até a conclusão do processo. "Assumo minha responsabilidade. Não vou deixar de dirigir o jornal", disse Otero, que está nos EUA. O diretor do diário disse que se apresentará aos tribunais do país para denunciar como o governo promove julgamentos contra seus opositores e afirmou não acreditar no sistema judiciário venezuelano.

Da Colômbia, o editor de La Patilla, Alberto Federico Ravell, disse que está disposto a voltar imediatamente para a Venezuela. "Estarei nos próximos dias onde eu acho que será mais útil para explicar aos venezuelanos o que está acontecendo no caso da imprensa", disse Ravell. Ele não confirmou, no entanto, o dia em que voltará ao país.

Na opinião do jornalista, a ação comandada por Cabello contra diretores e acionistas dos veículos de mídia terá um altíssimo custo político para o governo do presidente Maduro. "O que está em jogo aqui é a liberdade de expressão, a democracia e o processo eleitoral que se aproxima", disse Ravell, que descartou qualquer hipótese de mudança na linha editorial do popular portal de notícias que dirige em razão do processo movido pelo chavista. A Venezuela terá eleições parlamentares no último trimestre deste ano.

O presidente da Assembleia abriu o processo contra os três veículos em abril em razão da republicação de uma reportagem do diário espanhol ABC que o acusava de envolvimento com o narcotráfico. Segundo o jornal madrilenho, a Justiça Federal americana investiga o número 2 do chavismo com base em informações dadas por Leamsy Salazar, um ex-guarda-costas dele e do ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013. Cabello decidiu processar os três veículos venezuelanos que divulgaram a informação.

"Desde 27 de janeiro, esses veículos têm publicado essas informações, no que consideramos um grave dano à reputação e à honra do querelante", dizem os advogados de Cabello no processo.

Além de pedir que os diretores e acionistas de jornais e do portal possam deixar o país, medida que foi acatada pela Justiça, o chavista afirmou que solicitou ao tribunal que cuida do caso que os réus na ação não possam doar ou vender bens pessoais - antevendo uma possível indenização. / AP, REUTERS e EFE

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