Acusado por 11 de Setembro é condenado à prisão perpétua

Um júri federal condenou Zacarias Moussaoui, o único acusado pelos atentados de 11 de setembro de 2001, à prisão perpétua. Os jurados rejeitaram os pedidos do governo para que sentenciassem o réu à morte. A decisão deverá ser confirmada pela juíza responsável pelo caso nesta quinta-feira.Depois de sete dias de deliberação, os nove homens e três mulheres repeliram os pedidos da Promotoria para que condenassem Moussaoui à execução.O júri não atingiu unanimidade requerida para uma sentença de morte. Não foi anunciado se os jurados se dividiram sobre a questão ou se foram unânimes sobre a prisão perpétua.Três jurados decidiram que Moussaoui tinha apenas conhecimento limitado sobre os planos dos atentado e três descreveram seu papel nos ataques como pequeno, se ele realmente teve alguma participação.Mas, enquanto saía do tribunal depois da audiência de 15 minutos, ele gritou. "América, vocês perderam. Eu ganhei". E bateu palmas enquanto era retirado do local. O veredicto veio depois de quatro horas de manobras legais e um julgamento de seis semanas que colocou os jurados em uma espiral de emoções e deu ao francês de ascendência marroquina uma plataforma para insultar os americanos. Este foi o sexto caso, desde que a pena de morte foi restaurada, em 1976, em que os promotores falharam em obter uma execução.Defesa eficienteEm sua defesa bem sucedida, os advogados de Moussaoui revelaram novos níveis de falhas de agentes do FBI e outras agências antes dos ataques. Ao fim do julgamento, a equipe de defesa descreveu seu cliente como um esquizofrênico. Eles argumentaram que ele foi ao banco dos réus para confessar um papel nos ataques que ele nunca desempenou, tudo para conseguir o status de mártir e o reconhecimento na História.Os advogados também superaram o impacto das duas dramáticas aparições e Moussaoui. Na primeira, ele desmentiu as afirmações de que não havia participado do planejamento dos ataques. Já na segunda, mostrou alegria diante da dor dos parentes da vítimas.Usando evidências coletadas na maior investigação da história dos Estados Unidos, os promotores conseguiram uma vitória preliminar no mês passado quando os jurados decidiram que Moussaoui era elegível para pena de morte, ao considerar que suas mentiras aos agentes do FBI sobre os planos terroristas causaram a morte de ao menos uma pessoa.Contudo, mesmo com os depoimentos emocionados de vítimas e parentes, os jurados não foram convencidos de que Moussaoui, que estava preso no momento dos ataques, merecia morrer.O caso ajudou a entender melhor os atentados do 11 de setembro, com o lançamento de fitas da caixa preta do vôo 93. A fita capturou sons dos terroristas seqüestrando o avião sobre a Pennsylvania e os passageiros tentando retomar a aeronave até sua queda em um campo aberto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.