Acusado por 11/09 quer testemunhar contra si mesmo

O membro da Al-Qaeda Zacarias Moussaoui, acusado pelos atentados de 11 de setembro, se ofereceu no mês passado como testemunha contra ele mesmo no julgamento que decidirá se ele será ou não executado. Segundo o júri, Moussaoui afirmou que não quer morrer na prisão. A revelação é a mais forte evidência até agora de que o francês de 37 anos quer se tornar um mártir. Em uma audiência sem a presença do júri, nesta quarta-feira, promotores e advogados de defesa discutiram sobre as instruções do corpo de jurados e sobre as implicações de um júri recessivo nesta fase. Os promotores querem que o julgamento seja cancelado caso o júri não concorde unanimemente. Já a defesa argumenta que o resultado deve terminar o julgamento com a sentença de prisão perpétua. Para ser elegível, os promotores precisam provar que os atos de Moussaoui resultaram em pelo menos uma morte em 11 de setembro. De acordo com o testemunho feito na terça-feira, Moussaoui ofereceu durante um encontro com os promotores, em fevereiro, testemunhar que planejou raptar e pilotar um avião em 11 de setembro. Na segunda feira, o acusado impressionou a corte ao declarar publicamente, pela primeira vez, que iria jogar um avião 747 na Casa Branca em 11 de setembro de 2001, contradizendo o que havia falado anteriormente. A defesa, na terça-feira, apresentou evidências de dois membros de alto escalão da Al-Qaeda que levantam dúvidas sobre o envolvimento de Moussaoui nos ataques de 11 de setembro. Esses testemunhos sustentam que outro membro do alto escalão da Al-Qaeda, Khalid Shaikh Mohammed, organizador-chefe dos ataques de 11 de setembro e também preso, afirmou que Moussaoui não esteve envolvido com os ataques, mas que ele faria parte de uma futura onda de atentados. A promotoria argumenta que se Moussaoui tivesse revelado que fazia parte da Al-Qaeda e que planejou seqüestrar um avião, o FBI poderia ter perseguido as pistas que os levariam à maioria dos raptores de aviões e que, conseqüentemente, frustraria ou minimizaria os ataques. Já a defesa argumenta que nada do que Moussaoui dissesse faria diferença devido à política - adotada pelo FBI e por outras agências governamentais antes de 11 de setembro de 2001 - de ignorar os avisos de um eminente ataque terrorista. A defesa também argumentou que é irrelevante especular o que poderia ter ocorrido se Moussaoui tivesse confessado.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 20h38

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