Acusado por ataque a Mumbai diz que confessou sob tortura

Homem acusado de ser o único sobrevivente entre os autores dos atentados enfrenta julgamento na Índia

Efe e Reuters,

17 de abril de 2009 | 11h06

O único terrorista capturado vivo durante o ataque a Mumbai de novembro de 2008 se retratou nesta sexta-feira, 17, perante o juiz de sua confissão anterior e alegou ter sido submetido a torturas por parte da polícia indiana. O paquistanês Mohammed Ajmal Amir, conhecido como Kasab, compareceu perante o juiz especial M.L. Tahilyani pela primeira vez com a assistência de um advogado defensor, Abbas Kazmi.

 

Os atentados provocaram uma fase de tensão agravada entre os eternos rivais Índia e Paquistão. Nova Délhi acusa os serviços de inteligência paquistaneses de envolvimento nos ataques. Islamabad nega e exige que a Índia apresente provas. De acordo com a polícia, Kasab foi um dos dez homens que chegaram a Mumbai por mar e realizaram os ataques contra locais importantes, como hotéis cinco estrelas, a principal estação ferroviária e um centro judaico. A polícia diz que Kasab, que pode ser condenado à forca, ficou ferido no tiroteio. Fotos do jovem, vestindo tênis e portando um rifle automático e uma mochila, foram publicadas no mundo todo depois dos atentados. Kasab está preso desde então, e nenhum advogado indiano quis defendê-lo.

 

Kazmi tinha sido designado na quinta para defender Kasab, que foi detido em 26 de novembro de 2008, o primeiro dos três dias de ataque de um comando terrorista à cidade portuária indiana. O julgamento acontece desde o início da semana em uma sala especial da prisão Arthur Road de Mumbai na qual está preso tanto Kasab como os dois indianos detidos também pelo atentado.

 

Segundo as agências indianas PTI e Ians, além de alegar "torturas" para se retratar, o acusado paquistanês afirmou para o juiz que é menor de idade e reivindicou ser julgado de acordo com as leis pertinentes. A corte desprezou esse pedido e o promotor, Ujjwal Nikam, o acusou de mentir sobre sua idade, que fixou em 21 anos. O promotor, que apoiou sua argumentação na confissão de Kasab, disse que este havia "admitido que decidiu atacar Mumbai com o objetivo de capturar Caxemira".

 

A polícia indiana acusou do último ataque na cidade portuária o grupo separatista caxemiriano com base no Paquistão Lashkar-e-Taiba (LeT). O Paquistão admitiu que o atentado foi "parcialmente" organizado em seu território e fez sete detenções, entre eles a do comandante do LeT e suposto "cérebro" do ataque, Zakiur Rehman Lakhvi.

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