Acusados de assassinato de 44 são detidos na Turquia

Oito suspeitos do assassinato de 44 pessoas durante uma festa de noivado na Turquia foram detidos hoje. Eles são acusados de matar o casal, seus parentes e amigos num ataque que durou 15 minutos. Os agressores se opunham ao casamento. Duas meninas sobreviveram escondendo-se embaixo dos corpos. O ataque aconteceu na região rural no sudoeste do país, onde vínculos tribais e rivalidades podem obscurecer o poder do Estado. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan disse que o ataque foi "o resultado de rivalidades entre duas famílias".

AE-AP, Agencia Estado

05 de maio de 2009 | 13h03

Forças de segurança, apoiadas por veículos blindados, estabeleceram postos de verificação nas estradas que dão acesso a Bilge, a vila onde os assassinatos aconteceram ontem. As autoridades também cortaram a comunicação telefônica com o pequeno vilarejo. A agência de notícias Anatólia informou que os homens mascarados queriam que a mulher, Sevgi Celebi, se casasse com um integrante de seu próprio grupo de amigos ou parentes, mas a família dela não permitiu.

A agência citou moradores não identificados dizendo que havia uma disputa entre a família dos acusados e a família do noivo e que a família de Celebi resistiu às pressões para cancelar os planos para o casamento. "Nenhum uso ou costume pode ser usado como desculpa para esse massacre", disse Erdogan. "Este é o doloroso preço de estamos pagando por esses usos e costumes". Dentre os mortos, disse ele, havia seis crianças, 17 mulheres e 21 homens. Segundo ele, alguns dos suspeitos têm o mesmo sobrenome que as vítimas.

"As pessoas foram mortas durante um evento festivo, durante uma cerimônia, enquanto rezavam", disse Erdogan em seu pronunciamento semanal aos legisladores no Parlamento. "O fato de apontarem armas e massacrarem crianças, pessoas indefesas é atroz". Relatos indicam que os homens abriram fogo quando homens e mulheres rezavam, em cômodos separados, de acordo com a tradição em certas partes de Turquia. Uma adolescente disse que perdeu seis membros de sua família. O ministro do Interior, Besir Atalay, disse que oito suspeitos foram detidos. "Eles foram encontrados com suas armas", disse ele.

A legisladora de oposição Canan Aritman pediu que o governo tome medidas para erradicar o sistema tribal. "Trata-se de algo que não existe nem nas sociedades mais primitivas", disse Aritman, integrante do painel parlamentar que investiga as chamadas "mortes de honra" entre famílias tradicionais.

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