Acusados de rapto de crianças no Chade são julgados

Grupo foi detido quando tentava sair do país com 103 crianças apresentadas como supostos órfãos de Darfur

Efe e Reuters,

03 de novembro de 2007 | 09h21

Os europeus acusados de rapto de menores no Chade começam a comparecer neste sábado, 3, a um tribunal de N'djamena, segundo a imprensa chadiana.   As rádios locais informaram que os primeiros a comparecer numa audiência serão os sete espanhóis e os três jornalistas franceses acusados de cumplicidade com outros sete franceses, e membros da ONG Arca de Zoé.   As audiências devem começar às 11h (8h de Brasília).   Os sete espanhóis são membros da tripulação do avião de uma companhia charter contratada pela ONG para levar crianças à França. O grupo foi detido na localidade de Abéché, quando tentava sair do país com 103 crianças apresentadas como órfãos de Darfur levados para adoção.   Os 16 europeus detidos foram levados na última sexta para a capital N'Djamena, para serem julgados. Um dos franceses, o fotógrafo Jean-Daniel Guillou, gritou para os jornalistas que estava sendo detido "ilegalmente". Ele pode ser condenado a 5 a 20 anos de trabalhos forçados. "Pode-se culpá-los por terem pensado em certo momento que iriam conseguir salvar mais de cem crianças de um verdadeiro inferno?", disse Gilbert Collard, advogado da Arca de Zoé, a jornalistas em Paris. "Se eles estavam errados em acreditar nisso, em sonhar com isso, se eles estavam errados em torcer por isso - isso significa que eles merecem trabalho forçado?" Contradizendo a descrição das crianças como "órfãs de guerra", a ONU e as autoridades chadianas disseram que a maioria delas, de 1 a 10 anos, vinha de famílias com pelo menos pai ou mãe vivos, na violenta fronteira entre Chade e Sudão. Algumas famílias francesas dizem que esperavam receber órfãos de Darfur retirados pela Arca de Zoé e que pagaram em alguns casos mais de 2.000 euros como "doação" para cobrir os custos.

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