Acusados de terrorismo são levados ao Egito e torturados

O abuso aos direitos dos detidos no Egito é sistemático, com pessoas sendo presas por anos sem julgamento e sofrendo torturas como choques elétricos, espancamentos e pau-de-arara, denunciou nesta quarta-feira, 11, a Anistia Internacional. Num relatório, a Anistia afirmou que suspeitos de terrorismo estão sendo levados por outros países, "notadamente os EUA", para o Egito, onde são torturados."Apesar da antiga e muito divulgada prática das sérias violações aos direitos humanos no Egito, os governos de outros países, notadamente os Estados Unidos, escolheram levar os presos para lá, no contexto da guerra global ao terror," informou o relatório. "Os abusos resultantes (...) eram mais do que previsíveis."O relatório cita com destaque o caso de um clérigo egípcio que afirma ter sido torturado numa prisão do Egito depois de ter sido seqüestrado na Itália há quatro anos - supostamente, por agentes da CIA - e levado para o país árabe. A Anistia informa que obteve uma cópia de onze páginas de um relato escrito a mão por Osama Hassan Mustafá Nasr, também conhecido por Abu Omar, descrevendo as torturas que sofreu quando detido no Egito. Nasr disse que conseguiu contrabandear a carta para fora da cadeia. Na carta, Nasr diz ter sido sodomizado e levado surras com um cabo elétrico. Além disto, sofreu vários choques elétricos.O relatório da Anistia Internacional, divulgado nesta quarta-feira em Londres, afirma que 18,000 pessoas estão nas cadeias egípcias sem nenhuma acusação formal ou julgamento. Alguns estão nessa situação há mais de uma década e muitos estão detidos em "condições degradantes e desumanas."O relatório diz que, além das torturas físicas, são usadas várias formas de torturas psicológicas, como ameaças de morte aos prisioneiros ou ameaças de estupro aos prisioneiros ou às mulheres das suas famílias. Segundo a Anistia Internacional, o relatório chega em momento crítico no Egito, porque o governo deverá aplicar uma nova lei anti terrorismo, que poderá "fortalecer o modelo de abusos e violências praticados nos últimos 40 anos." O grupo insta o governo egípcio a garantir que a nova lei, que foi aprovada em um controvertido referendo pela população, respeite os direitos humanos.

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