Acusados por 11/9 querem confessar

Presos desafiam EUA a colocá-los no corredor da morte em Guantánamo

AP, REUTERS E NYT, O Estadao de S.Paulo

09 de dezembro de 2008 | 00h00

Khalid Sheik Mohamed, considerado o cérebro por trás do 11 de Setembro nos EUA, e outros quatro acusados de envolvimento nos ataques, manifestaram ontem o desejo de se confessarem culpados da acusação perante o júri militar da base americana de Guantánamo, em Cuba, onde estão presos. Aparentemente, a estratégica é evitar um julgamento e desafiar o governo americano a colocá-los no corredor da morte. O juiz militar Stephen Henley, responsável pelo caso, leu ontem o pedido feito por escrito pelos cinco, mas deixou claro que esta não é a hora de aceitar declarações formais de culpa.O juiz questionou a espontaneidade das declarações, datadas de 4 de novembro - dia da eleição de Barack Obama. "Não queremos perder tempo com moções", disse Mohamed. "Eu não confio em vocês. Não confio em nenhum americano." Ao final da audiência, três acusados decidiram adiar a declaração de culpa até que os militares avaliassem se os outros dois - incluindo Mohamed - são mentalmente capazes.A promotoria pretende pedir a pena de morte dos cinco pelo assassinato de 2.973 pessoas nos atentados. Contudo, Obama, que assume o cargo dia 20 de janeiro, já disse que fechará a prisão de Guantánamo e julgará os detentos nas cortes civis e militares que já existem no país. Se isso ocorrer, o trabalho da acusação seria dificultado em razão de as confissões terem sido conseguidas sob tortura. Nesse caso, segundo alguns analistas, esta seria a última oportunidade para que os cinco desafiem o sistema jurídico montado pelo governo Bush e sejam condenados à morte, um oportunidade única de terminar como mártires.Alguns funcionários de agências de inteligência dos EUA afirmam que a pressa para assumir a culpa também poderia estar ligada a uma tentativa de acobertar outros jihadistas envolvidos nos atentados. Segundo eles, é pouco provável que tão poucas pessoas estivessem por trás da execução de um plano tão ambicioso quanto o do 11 de Setembro.Para muitos analistas, no entanto, a decisão não chega a ser uma surpresa. Os cinco sempre resistiram em trabalhar com advogados militares indicados para defendê-los. Para alguns magistrados que trabalham em Guantánamo, a tática seria uma maneira de atrair o máximo de atenção da imprensa e tirar proveito político do julgamento.PARENTESParticiparam da audiência de ontem, pela primeira vez, membros de cinco famílias de vítimas dos atentados. Até então, o Pentágono vinha sendo alvo de críticas por não permitir que parentes assistissem ao processo.

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