Bebeto Matthews/AP Photo
Bebeto Matthews/AP Photo

Denunciante de Príncipe Andrew afirma que foi forçada a fazer sexo com ele

Virginia Roberts Giuffre acrescentou que, mesmo incomodada e 'enojada', não desistiu do que lhe havia sido orientado para evitar conflitos com o bilionário Jeffrey Epstein

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2019 | 18h43

LONDRES - Uma americana que alega que o bilionário americano Jeffrey Epstein, morto em agosto na prisão, a forçou a fazer sexo com o príncipe Andrew do Reino Unido quando tinha 17 anos, disse em sua primeira entrevista a uma emissora de TV que o ocorrido foi "nojento" e pediu apoio do público britânico.

"Esta não é uma história sórdida de sexo, é uma história de tráfico (humano), é uma história de abuso e é uma história da sua realeza", afirmou Virginia Roberts Giuffre à BBC em um documentário de uma hora que foi ao ar na segunda-feira à noite.

Em uma entrevista à BBC exibida no mês passado, mas que foi gravada depois que Virginia falou com a rede, Andrew negou todas as acusações e disse que não se lembrava nem de conhecê-la. "Posso absoluta e categoricamente dizer que nunca aconteceu", disse ele. "Não me lembro de ter conhecido essa mulher em qualquer circunstância."

Ele também defendeu sua amizade com Epstein, um criminoso sexual condenado que supostamente cometeu suicídio na cela de uma prisão de Nova York enquanto enfrentava acusações de tráfico sexual.

Essa entrevista de Andrew foi considerada um desastre para a imagem da realeza britânica, e nos dias subsequentes Andrew foi forçado a se afastar de seus deveres reais e de cerca de 200 instituições de caridade que apoiava.

Virginia - agora com 35 anos e mãe de três filhos - disse à BBC que foi "passada" para os amigos ricos e poderosos de Epstein "como um prato de frutas".

Ela disse que foi traficada para Andrew três vezes em 2001 e 2002: uma vez em Londres, na casa da namorada de Epstein, outra na mansão de Epstein em Nova York e outra em uma ilha particular do Caribe, pertencente ao bilionário.

"Não durou muito", disse ela sobre o primeiro dos três supostos encontros com o príncipe. "Ele se levantou e agradeceu. Fiquei sentada na cama, horrorizada, envergonhada e me sentindo suja", disse Virginia.

Sobre Andrew negar conhecê-la, ela afirmou: "Ele sabe o que aconteceu. Eu sei o que aconteceu e só tem um de nós contando a verdade, e eu sei que essa pessoa sou eu". 

No mês passado, em sua própria entrevista à BBC, o príncipe Andrew não conseguiu explicar uma fotografia que mostra ele e Virginia lado a lado abraçados, com a mão de Andrew no quadril da então adolescente.

Ele sugeriu que a imagem havia sido modificada. "Eu não acredito que a fotografia foi tirada da maneira que foi apresentada", afirmou. 

Virginia novamente rebateu o argumento. "Acho que o mundo está ficando cansado dessas desculpas. É uma foto real. Eu a entreguei ao FBI para investigação, e é uma foto autêntica".

Ela afirma que há uma data no verso da fotografia - 13 de março de 2001, de quando foi impressa, dois dias após ela ter saído de Londres. 

A imagem, que circulou pela primeira vez em 2011, foi tirada na casa da namorada de Epstein, Ghislaine Maxwell, em Londres, que também é uma amiga próxima de Andrew. 

Ghislaine foi descrita pelas vítimas de Epstein como sua "madame", que procurava adolescentes para massagearem o empresário em troca de dinheiro. Em seguida, elas eram coagidas a transar com Epstein e Ghislaine. 

De acordo com Virginia, Ghislaine a recrutou no resort de Mar-a-Lago, do atual presidente americano, Donald Trump, que também já apareceu em fotografias ao lado de Epstein. 

A jornalista que conduziu a entrevista da BBC afirmou que encontrou uma troca de e-mails em um documento oficial entre o príncipe Andrew e Ghislaine, em 3 de janeiro de 2015, onde o britânico solicitou: "Me avise quando pudermos conversar. Tenho algumas perguntas específicas para te fazer sobre Virginia Roberts". 

A namorada de Epstein teria respondido: "Tenho algumas informações. Me ligue quando puder".

Virginia ainda acrescentou como foi introduzida a Andrew, em março de 2001, quando ambos foram a uma boate em Londres e o príncipe quis dançar com ela. 

"Ele é o dançarino mais medonho que eu já vi na vida. Foi horrível, ele suava em mim, com seu suor parecia que estava chovendo em todo lugar, eu estava enojada disso, mas sabia que tinha que mantê-lo feliz, porque é isso que Jeffrey (Epstein) e Ghislaine iriam esperar de mim". 

Em resposta, Andrew afirmou em sua entrevista à BBC que, na época, suas restrições como um piloto da Marinha Real nas Ilhas Malvinas deixaram-no em uma condição médica peculiar: ele não suava. / W. POST 

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