Adesão ao Mercosul ampliaria atuação do Brasil na Venezuela

Há vários projetos envolvendo empresas brasileiras esperando a entrada do país no bloco para saírem do papel

Humberto Márquez, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

A entrada da Venezuela no Mercosul, como membro pleno, ainda depende da aprovação do Congresso do Paraguai. A adesão, no entanto, simplificará os procedimentos alfandegários, aumentará o comércio e dará maior segurança jurídica, o que atrairia mais empresas brasileiras.

"Na Venezuela, há cerca de 36 projetos que envolvem companhias brasileiras que estão parados aguardando condições melhores, como uma fluidez de recursos ou que a Venezuela se una oficialmente ao Mercosul", disse Fernando Portela, diretor da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio.

A estatal Corpozulia, por exemplo, opera minas de carvão no Estado de Zulia e firmou um acordo de exploração com a brasileira Vale na serra de Perijá. No entanto, quatro grupos indígenas alegam que a zona é território ancestral e muitas comunidades se opõem à expansão da mineração na região.

Ao mesmo tempo que a presença brasileira é evidente nas gruas e no concreto reforçado, o comércio bilateral também floresce e, ao contrário das últimas décadas do século 20, a balança comercial favorece o Brasil, que depende cada vez menos das importações de petróleo e torna-se cada vez mais fornecedor de alimentos para a Venezuela.

Em 1999, o comércio bilateral totalizava US$ 1,5 bilhão, dos quais US$ 974 milhões eram vendas venezuelanas. Em 2009, as exportações brasileiras alcançaram US$ 3,6 bilhões, enquanto as importações da Venezuela foram de apenas US$ 581 milhões.

"A tendência continuará em 2010, com cerca de US$ 600 milhões em exportações de produtos da Venezuela, enquanto o Brasil exportará o equivalente a US$ 3,5 bilhões", disse Carlos Santana, diretor de promoção comercial na Embaixada do Brasil em Caracas.

A Venezuela importa carne, frango, açúcar, celulares, pneus, peças automotivas, óleo de soja, café e leite. O Brasil concentra suas compras em insumos petroquímicos, carvão e eletricidade, que chega pelas linhas de alta tensão da hidrelétrica do rio Caroní.

No entanto, nem tudo é tranquilo nas relações bilaterais. A crise econômica global levou a petroquímica Braskem a reformular seus planos e reduzir seu investimento à metade, de US$ 1 bilhão para US$ 500 milhões.

Por outro lado, a estatal venezuelana de petróleo, a PDVSA, está tendo dificuldades para levantar os 40% que são sua parte na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A refinaria deverá processar 230 mil barris de petróleo, principalmente venezuelano, diariamente. A Petrobrás, que conseguiu levantar US$ 50 bilhões no mercado internacional para aplicar em seus projetos de expansão, assumiu a construção da refinaria em 2009.

PRESENÇA NACIONAL

Odebrecht

Empresa tem pelo menos 15 projetos importantes de infraestrutura na Venezuela, entre eles a construção de novas linhas de metrô em Caracas. O projeto emblemático - e mais visível - é a segunda ponte sobre o Rio Orinoco

Petrobrás

Empresa assumiu em 2009 a construção de refinaria em conjunto com a Venezuela

Vale do Rio Doce

Empresa estatal venezuelana Corpozulia opera minas de carvão e firmou um acordo de exploração com a brasileira Vale do Rio Doce na Serra de Perijá

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