Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Adesão ao Mercosul é maior oportunidade em 200 anos, diz Chávez

Presidente venezuelano agradeceu entrada ao bloco sul-americano em declaração à imprensa

estadão.com.br,

31 de julho de 2012 | 15h15

Texto atualizado às 17h20

BRASÍLIA - Acabou há pouco a declaração à imprensa feita pelos presidentes dos países do Mercosul, em Brasília. A cúpula extraordinária formaliza a incorporação plena da Venezuela ao bloco sul-americano.

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Dilma Roussef foi a primeira a discursar e afirmou que, com a entrada da Venezuela, "há mais espaço para o crescimento do comércio e para a integração das cadeias produtivas". Além disso, a presidente do Brasil lembrou que a suspensão do Paraguai do bloco demonstrou o compromisso com a democracia, o que não implica em prejudicar o povo paraguaio. "Não somos favoráveis a sanções econômicas que possam afetar o povo irmão do Paraguai", disse.

O Paraguai está temporariamente suspenso do Mercosul desde o dia 22 de junho por causa do impeachment do então presidente Fernando Lugo, substituído pelo vice-presidente, Federico Franco.

O segundo a discursar foi o presidente venezuelano Hugo Chávez, que agradeceu a oportunidade de seu país poder entrar no bloco. "Se trata da maior oportunidade, em 200 anos, da Venezuela, um país que, por modelos de desenvolvimento que lhe foram impostos, estava condenado ao subdesenvolvimento, ao atraso e à miséria".

Chávez ressaltou que a incorporação ao Mercosul resultará em avanços para a Venezuela. "O Mercosul é, sem dúvida, a mior locomotiva para garantir nossa independência e acelerar nosso desenvolvimento."

O presidente venezuelano também respondeu as críticas de quem acusa o país de viver em uma ditadura. "A Venezuela, apesar de chamarem de ditadura, hoje vive um processo democrático muito maduro", disse ele, ao salientar que, no país estão sendo consolidadas novas instituições. "A Venezuela é o único país do mundo onde a Constituição foi aprovada pelo voto popular", declarou.

O presidente uruguaio, José Mujica, considerou que a América do Sul vive um "momento histórico", com enormes desafios, a partir da entrada da Venezuela no Mercosul. Para o presidente uruguaio, a América Latina está "se saindo muito bem" da conjuntura internacional adversa, o que atribuiu aos "acertos de nossas políticas".

A presidente argentina Cristina Kirchner finalizou as declarações, pedindo "mais segurança e estabilidade financeira" e menos "discursos" por parte dos países desenvolvidos, perante a crise internacional.

Cristina lembrou que o Mercosul é um dos maiores blocos de produtores alimentícios e que o preço desses produtos não é o motivo da crise. "O problema da crise (internacional) não é por causa da soja ou de outros grãos, mas sim, pela insegurança financeira causada por eles, pelos países desenvolvidos, com paraísos fiscais nos quais estão 400 bilhões de dólares."

A reunião extraordinária deve ser concluída com um almoço no Itamaraty.

Entrada da Venezuela

O Congresso paraguaio era o único dos quatro membros do Mercosul que não tinha aprovado a entrada da Venezuela no bloco, mas com a suspensão, se abriu uma brecha para a adesão plena da nação andina. O acordo foi consumado no final de junho na cúpula semestral do Mercosul, realizada na cidade argentina de Mendoza.

A Venezuela, que assinou o tratado de adesão em julho de 2006, mas tinha pendente sua incorporação plena, terá um prazo de até quatro anos para adotar a normativa comercial do bloco, segundo estabeleceram os chanceleres dos quatro países na segunda-feira, 30.

Com Efe 

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