Adesão de parte da esquerda a Chirac surpreende Jospin

Lionel Jospin não escondeu sua surpresa ao constatar a facilidade como alguns entre os que hesitaram em votar socialista domingo se propõem, agora, a votar Chirac no segundo turno. Essa comentário foi feito pelo primeiro-ministro durante um encontro, mais social do que político, uma despedida de seus colaboradores mais próximos da campanha eleitoral. Na mesma ocasião, Jospin não evitou também críticas a seu antigo ministro do Interior, Jean Pierre Chevenement, deixando mesmo de atender uma chamada telefônica. Ele rompeu com o governo saiu candidato e desenvolveu uma campanha fortemente crítica ao primeiro ministro. De qualquer forma, os socialistas praticamente viraram a página Jospin ontem, após o primeiro ministro ter participado com seu governo a ultima reunião do Conselho de Ministros presidida por Jacques Chirac. Num clima respeitoso, mas pesado, de "agradecimentos republicanos" de lado a lado, Chirac, Jospin e os ministros socialistas estiveram juntos pela última vez no Palácio do Eliseu. O primeiro-ministro só volta à sede da Presidência da República no dia 6 de maio, após o segundo turno, para apresentar sua demissão ao presidente eleito na véspera. Nos próximos 10 dias ele deverá responder pelo expediente e sua última grande missão talvez seja a de garantir a ordem das manifestações previstas para o dia 1º de Maio em Paris. Hoje a ministra da Família, Segolene Royal, lamentou que o presidente da República não tenha dito uma palavra sequer de agradecimento ao trabalho desenvolvido pelo governo nesses cinco anos.O primeiro secretário do PS, François Holande, já enfrentou hoje as primeiras dificuldades com seus aliados para preparar as legislativas. A meta seria organizar uma reunião da "esquerda unida" , logo após as eleições presidenciais , tentando discutir com os verdes e comunistas uma candidatura única em pelo menos uma centena de circunscrições , onde a direita e a extrema direita podem ganhar. Mas as primeiras dificuldades já se verificam e o verde Noel Mamére denunciou "operações "visando salvar os soldados do PS". Ele teme o malogro das negociações dizendo que os socialistas não assimilaram ainda o novo peso dos verdes nas negociações, procurando sempre defender uma posição mais confortável para seus aliados tradicionais, o Partido Comunista. Quanto a extrema esquerda, os dois partidos Lutte Ouvriére e Liga Comunista Revolucionária, negociam, a constituição de listas comuns nas legislativas, mas não aceitam qualquer entendimento com a antiga esquerda plural constituída por socialistas, verdes e comunistas e radicais de esquerda.As mesmas dificuldades podem ser constatadas junto aos partidos da direita tradicional, próxima de Jacques Chirac. Se os políticos do RPR defendem e já anunciaram sua integração num partido único dos conservadores, os dois principais responsáveis pelos partidos centrista e liberal, François Bayrou e Alain Madelin se manifestaram contrários a esse desejo do presidente Chirac.Ambos somaram mais de 10 % dos votos domingo último e podem atrapalhar os planos de Jacques Chirac de eleger uma "maioria presidencial" na Assembléia Nacional e a constituição de um governo alinhado com o presidente, depois de cinco anos de coabitação com a oposição.

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