Adesão fará influência e negócios de Paris crescer

Não é coisa pouca a soma dos benefícios da França na adesão integral à Otan. O país, quarto contribuinte em contingente do pacto - 2.800 soldados, 8 jatos de ataque, 4 helicópteros e 2 cargueiros pesados, só no Afeganistão - terá participação efetiva na tomada de decisões "e passará, muito rapidamente, a protagonista da política continental de defesa, incorporando ao tratado sua área de influência", sustenta a analista sueca Birgit Girtie. Segundo a pesquisadora do Instituto de Estudos para a Paz de Estocolmo, "a moeda da França nessa negociação é a presença militar de diversos tamanhos e formatos que mantém em 30 países - sendo 18 deles suas ex-colônias".Também é bom para os negócios. A indústria francesa de equipamentos de defesa ganha a certificação da Otan. E um forte argumento político na hora da discussão. O momento é oportuno: só no Brasil estão em pauta contratos que podem chegar rapidamente a US$ 10 bilhões, envolvendo helicópteros, submarinos e supersônicos de alta tecnologia. Em todo o mundo empresas da França disputam no mercado US$ 60 bilhões em encomendas.O presidente Nicolas Sarkozy anunciou que vai manter o controle do arsenal nuclear - bombas, mísseis aerotransportados, 60 aviões especiais, 4 submarinos lançadores de mísseis de longo alcance - fora do acordo regional e sob "nossa decisão integral". Entretanto, está incorporando a totalidade das forças convencionais, cerca de 254 mil soldados, 2 mil tanques pesados, 4 mil blindados, 300 aeronaves de combate, dois porta-aviões e cerca de 60 navios. Em 2010, Sarkozy deverá renegociar a posição francesa nos tratados da política nuclear. "Deve, então, manter seu governo integrado a dois compromissos: o de discussão política e o de consulta prévia; aqueles dos quais não participa hoje", pondera Girtie.

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