Adiada em um dia chegada de missão da ONU a Israel

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, aceitou hoje o adiamento, por um dia, do envio de uma missão a Israel para investigar acusações palestinas de que um massacre teria ocorrido no campo de refugiados de Jenin. O ministro israelense das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, pediu a Annan que adiasse a chegada de uma equipe de três membros da noite de sábado para a noite de domingo, para que o gabinete israelense possa tomar uma decisão formal sobre a missão na manhã de domingo, disse o subsecretário-geral da ONU, Kieran Prendergast. Mais cedo, Annan afirmara não haver motivos para mudar os planos da missão. "Estamos fazendo todos os esclarecimentos necessários e espero que a equipe parta amanhã. Não acredito que exista qualquer motivo para um adiamento", afirmou Annan pouco antes de adiar para domingo o envio da missão. Hoje, diplomatas israelenses reclamaram que o mandato da missão não prevê a investigação dos atentados promovidos por militantes palestinos. Como se trata de uma resolução do Conselho de Segurança, Israel não pode ignorar a missão. A solução, portanto, é tentar retardar ao máximo a autorização da entrada da equipe no país até que o mandato e a composição da missão sejam acordados. Os israelenses ainda querem garantias de que os militares entrevistados pela missão não terão seus nomes revelados. A missão será liderada pelo ex-presidente finlandês Martii Ahtisaari, pela ex-alta comissária da ONU para refugiados Sadako Ogata e pelo ex-presidente da Cruz Vermelha Internacional Cornelio Sammaruga. InfluênciaAté o início da noite de hoje, os integrantes da missão não sabiam exatamente quando poderiam ser autorizados a partir para a Palestina. "Estamos trabalhando com a possibilidade de partir para o Oriente Médio entre sábado e domingo", disse à Agência Estado o porta-voz da missão da ONU, Stephan Dujarric. O porta-voz garante que todos os membros da equipe foram nomeados por Kofi Annan e que nem Israel nem o governo dos Estados Unidos influenciaram na escolha dos membros da equipe. Mas a verdade é que, nos últimos dias, a ONU tem atendido a todos os pedidos de Israel: excluiu do grupo a Alta Comissária de Direitos Humanos, Mary Robinson, que era considerada parcial pelos israelenses, e incluiu três militares no grupo. Um deles é o general aposentado William Nash, dos Estados Unidos. No total, a missão será composta por 15 pessoas, entre elas um médico e um jurista. No início da semana, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, havia dito a Kofi Annan que o governo de Ariel Sharon não teria "nada a esconder".

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