Adiada mais uma vez reunião entre Peres e Arafat

Conversações entre israelenses e palestinos sobre um cessar-fogo foram adiadas novamente hoje e os dois lados voltaram a trocar acusações, depois que uma colona judia foi morta a tiros numa emboscada e Israel fechou unilateralmente um pedaço de território na Cisjordânia.O último adiamento das conversações ocorreu apesar do desejo dos Estados Unidos de conterem o conflito israelense-palestino para se concentrarem na construção de uma coalizão antiterrorista em resposta aos ataques de 11 de setembro.O grupo militante Jihad Islâmica assumiu a responsabilidade pelo ataque hoje no extremo norte da Cisjordânia, no qual uma mulher israelense de 28 anos foi morta.Israel acusou o líder palestino Yasser Arafat dizendo que ele não está impondo um cessar-fogo que declarou na semana passada. "A total responsabilidade desse ataque assassino é da Autoridade Palestina", afirmou Raanan Gissin, assessor do primeiro-ministro Ariel Sharon.Mais uma vez, Israel bloqueou um encontro entre Arafat e o ministro do Exterior judeu Shimon Peres, visando a estabelecer um cessar-fogo formal para pôr fim a um ano de confrontos.Sharon tem exigido um período de 48 horas sem qualquer ataques antes de aprovar a realização do encontro. A reunião havia sido originalmente marcada para domingo, mas Sharon a bloqueou no último minuto devido a ataques de morteiro palestinos em Gaza.Depois de boicotar a reunião ministerial de domingo por causa do cancelamento, Peres aceitou com relutância hoje o novo adiamento, mas observou: "Nada poderia salvar mais vidas ou evitar danos como esse encontro".O adiamento deve durar vários dias. Arafat tem viagem marcada para Damasco, Síria, na terça-feira, uma visita crucial marcando uma possível aproximação após duas décadas de relações frias com a Síria.Na noite de quarta-feira e durante o dia de quinta-feira, Israel celebra o Yom Kippur, o dia mais sagrado do calendário judaico, quando nenhum trabalho oficial é realizado. Assim, a próxima oportunidade de um encontro é na noite de quinta-feira. Se a oportunidade não for aproveitada, os dias religiosos muçulmano de sexta-feira e judaico de sábado jogaria a reunião para a próxima semana.Enquanto isso, Israel tomou uma iniciativa unilateral, declarando uma faixa da Cisjordânia ao longo da fronteira israelense uma zona militar fechada.A faixa, estendendo-se para o sul a partir da cidade de Jenin, é de cerca de 30 km de comprimento e vários quilômetros de largura em várias partes, segundo as Forças Armadas israelenses.Milhares de palestinos vivem na zona. Eles precisarão de passes especiais para entrar e sair, e parentes e amigos não terão permissão de visitá-los.Arafat considerou a medida unilateral "uma perigosa escalada política e militar". Um líder palestino na Cisjordânia, Marwan Barghouti, advertiu aos israelenses: "Se vocês querem alcançar paz e segurança, vocês têm de se retirar de nosso território".

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