Adiamento do retorno derruba moral da tropa no Iraque

Os membros da 3ª Divisão de Infantaria, que foram a vanguarda do avanço americano sobre Bagdá, estão irritados: a volta para casa foi adiada mais uma vez. Há oito meses em campo, a 3ª DI recebeu nesta semana ordem de ficar, com uma promessa vaga de retorno em setembro, se a situação melhorar. A decisão foi recebida com revolta, tristeza e saudade pelos 9.000 soldados da divisão. ?Você tem soldados que já chegaram ao limite físico, mental e emocional, e vai segurá-los por mais três meses??, diz o recruta Zachary Watkins. ?Não é uma coisa inteligente de se fazer. Vai haver um monte de incidentes?. Quando o capitão Mark Miller deu a notícia do adiamento, ?dava para ouvir um alfinete caindo?, disse o sargento Eric Wright. O sargento Paul Roe conta que deveria dar baixa em um mês, para começar um curso universitário. ?É quente e miserável aqui?, diz. ?Em casa, tenho uma namorada, praia e liberdade?. A maioria dos soldados reclama do tédio. O sargento Roe explica, ?de vez em quando atiram na gente. Não vejo sentido em manter 160.000 homens aqui?. Os soldados da Companhia Alfa da 2ª Brigada da 3ª DI se sentem abandonados pela liderança: praticamente todos os oficiais, do general Tommy Franks aos comandantes de brigada, batalhão e companhia já deixaram o Iraque. Eric Wright mede o tempo que passou no Golfo Pérsico pelas superproduções cinematográficas que perdeu: O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, Jornada nas Estrelas: Nêmesis e Matrix Reloaded. ?Eu adorava ir ao cinema?, diz.

Agencia Estado,

16 Julho 2003 | 18h20

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