Administração Bush é acusada de "apatia" para cuidar de Katrina

As principais autoridades do Departamento de Segurança Nacional norte-americano foram informadas a respeito das falhas nos diques de Nova Orleans no dia em que o furacão Katrina atingiu a costa, disse em audiência no Congresso desta sexta-feira o ex-chefe do departamento, Michael Brown. A declaração contraria as autoridades da agência, que disseram anteriormente que só receberam a informação um dia após a tragédia. Em testemunho a uma comissão de Senadores, Brown concordou com os membros que o caracterizaram como um bode-espiatório. "Eu me sinto um pouco abandonado", ele disse. Brown pediu demissão do sob fogo cruzado poucos dias após a tempestade.Brown também disse aos senadores que as decisões e políticas do Departamento de Segurança Nacional, herdadas da extinta Agência Federal de Administração de Emergências (Fema), estavam destinadas a "seguir o caminho da falha", e isso levou o governo a agir lentamente quando a tempestade surgiu. Segundo Brown a fixação do governo no combate ao terrorismo fez com que os desastres naturais "se tornassem o ´filho adotivo´ do Departamento de Segurança Nacional". "Se houvesse um boato de que um terrorista havia explodido o canal da rua 17, aí todo mundo teria corrido para lá", provocou. A falta de habilidade para lidar com as conseqüências do Katrina minaram a confiança dos americanos no presidente e contribuíram para derrubar George W. Bush nas pesquisas de opinião. Durante seu depoimento, Brown informou ter falado por telefone com um alto funcionário da Casa Branca - que ele acredita ser Joe Hagin - "ao menos em duas ocasiões naquele dia (do desastre) para informá-lo sobre o que estava ocorrendo". Na ocasião, Hagin acompanhava o presidente Bush, que estava de férias em seu rancho no Texas."Eu acho que falei para ele que estávamos assistindo nosso pio pesadelo, que tudo o que temíamos nos últimos 10 anos estava acontecendo", disse Brown. Ele acrescentou ter feito comentários semelhantes em e-mails enviados ao chefe da equipe da Casa Branca, Andrew Card.O furacão de 29 de agosto matou mais de 1,3 mil pessoas, desabrigou outras centenas de milhares e causou danos de bilhões de dólares, incluindo a destruição de Nova Orleans e outras comunidades costeiras do Golfo do México. Segundo a presidente da sessão, senadora Susan Collins, a Fena não deu crédito os primeiros sinais de que as equipes de emergência não estavam preparadas para enfrentar desastres catastróficos como o furacão Katrina. Uma inspeção de gerenciamento preparada por Brown, meses antes do 29 de agosto, mostrava que a agência estava com uma grande defasagem para atender situações emergenciais. Collins disse que a inspeção mostrava que a Fena não entendia os procedimentos padrões para tais situações.A aparição de Brown no painel de investigação do Senado ocorre no momento em que novos documentos revelam que 28 agências locais, estaduais e federais - incluindo a Casa Branca - sabiam das falhas nas barragens de Nova Orleans no dia 29 de agosto.

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