Administração dos EUA no Iraque termina em junho de 2004

A administração dos EUA no Iraque terminará em junho do próximo anos, depois da escolha de um governo de transição. Foi o que anunciou hoje o Conselho de Governo do Iraque.O anúncio foi feito depois das conversas do administrador-chefe americano, L. Paul Bremer, com o líder do conselho. Bremer acaba de voltar dos Estados Unidos, depois de receber as propostas do presidente americano George W. Bush e seu conselho para apressar a emancipação iraquiana.O membro do conselho, Ahmad Chalabi, que participou de uma entrevista coletiva à imprensa, com outros colegas, disse que a escolha de um governo de transição, "internacionalmente reconhecido" e "totalmente soberano", deverá ser completada até maio. O presidente do conselho, Jalal Talabani, falando em árabe, acrescentou que a escolha do novo governo será feita após consultas a "todos as facções" das sociedade iraquiana.O conselho também disse que planeja ter uma constituição pronta e eleições gerais para o governo pelos fins de 2005.O membro sunita do conselho, Adnan Pachchi, disse que o atual órgão, instalado pelos EUA, irá enviar uma carta ao presidente do Conselho de Segurança da ONU para informar as datas para o estabelecimento das novas instituições. A ONU havia estabelecido 15 de dezembro como data limite para esse processo."O motivo por trás do estabelecimento deste governo de transição é restaurar a soberania e terminar com a ocupação para dar uma chance aos representantes do povo iraquiano de representar o Iraque", disse Pachachi.Enquanto o conselho examinava o plano de Washington, um novo atentado dos insurgentes que combatem a ocupação matava mais um soldado americano no país - o 400° militar dos EUA a morrer em combate em conseqüência de uma ação hostil.De olho nas pesquisas de opinião que vêm demonstrando o aumento das críticas à administração de George W. Bush por causa do manejo do pós-guerra no Iraque, a Casa Branca pretende agora levar os iraquianos a assumir a responsabilidade por todos os seus assuntos políticos e recursos econômicos ainda no primeiro semestre de 2004, antes mesmo da redação de uma nova Constituição.Bush é candidato à reeleição nas eleições presidenciais americanas de novembro do ano que vem. Bush, porém, tem se esforçado em rejeitar as especulações de que a transferência de poder significa a retirada precoce dos cerca de 140 mil soldados dos EUA que estão no Iraque. Segundo suas últimas declarações, a retirada militar só ocorrerá depois de derrotados todos os focos de resistência."O plano é bom para todos. Teremos tropas aqui, mas em vez de tropas de ocupação, serão convidadas do governo iraquiano", declarou um dos membros do Conselho de Governo, Ahmed Chalabi.As negociações, no entanto, se dão em meio a fogo intenso. O 400º soldado morto em combate no Iraque foi vítima de uma emboscada numa estrada de Bagdá. Uma bomba explodiu quando o comboio em que ele viajava passava. Em resposta, forças dos EUA bombardearam pela terceira noite consecutiva os redutos da resistência iraquiana no centro e norte do Iraque, na operação Martelo de Ferro. Hoje pela manhã uma forte explosão foi ouvida na área do Museu Nacional, no centro de Bagdá. Nenhuma autoridade informou imediatamente sobre danos ou vítimas.

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