Adolescente baleada pelo Taleban sai de hospital

Atacada por defender direito das mulheres, Malala Yousufzai passará por nova cirurgia

BIRMINGHAM, GRÃ-BRETANHA , O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2013 | 14h38

A adolescente paquistanesa que sobreviveu a uma tentativa de assassinato do Taleban - ocorrida em 9 de outubro -, por defender o direito à educação para mulheres, deixou ontem o hospital britânico onde esteve internada. Malala Yousufzai, de 15 anos, foi baleada na cabeça, mas ainda deverá ser submetida a uma nova cirurgia para reconstrução de seu crânio.

Em um vídeo divulgado pelo Hospital Queen Elisabeth, de Birmingham, a jovem aparece de mãos dadas com uma enfermeira, acenando para um guarda e sorrindo timidamente, enquanto caminha com cautela. Malala abraça duas funcionárias antes de deixar o local.

A jovem foi transferida para a unidade de saúde após médicos paquistaneses terem extraído o projétil que entrou em sua cabeça por cima de seu olho esquerdo e atingiu de raspão seu cérebro, alojando-se na região da mandíbula e ameaçando sua coluna vertebral.

Malala "está bem o suficiente para ser tratada pelo hospital como uma paciente externa nas próximas semanas", afirmou o Queen Elisabeth em um comunicado. "Está previsto que ela seja readmitida no fim de janeiro ou no início de fevereiro para uma cirurgia de reconstrução craniana, como parte de sua recuperação a longo prazo e, nesse intervalo, vai visitar o hospital regularmente."

Especialistas estão otimistas quanto à recuperação da jovem, uma vez que cérebros de adolescentes estão em crescimento e se adaptam com mais facilidade a traumas do gênero. "Malala é uma jovem forte e tem trabalhado duro com as pessoas que a tratam para obter um excelente progresso em sua recuperação", afirmou o médico Dave Rosser.

O Taleban atacou a jovem por seu "pensamento ocidental", já que a orientação fundamentalista islâmica do grupo não reconhece o direito das mulheres à educação - causa defendida apaixonadamente por Malala. O atentado, ocorrido no ônibus escolar que transportava a adolescente em sua cidade no Vale do Swat, provocou indignação e inúmeros protestos, dentro e fora do Paquistão. Malala tornou-se um símbolo da luta pelo direito da mulheres e esteve entre os finalistas do título de personalidade do ano da revista Time.

O Paquistão, que paga o tratamento na Grã-Bretanha, nomeou o pai de Malala, Ziauddin Yousufzai, adido de educação em Birmingham, indicando que a jovem permanecerá no país europeu por alguns meses. / AP e NYT

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