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Adolescente britânica que fugiu para a Síria morre em bombardeio russo

Ataque contra edifício onde Kadiza Sultana, de 17 anos, estava na cidade de Raqqa teria ocorrido em maio

O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2016 | 22h31

LONDRES - Uma das três adolescentes britânicas que comoveram a opinião pública do Reino Unido no ano passado ao fugir para a Síria para se unir ao Estado Islâmico (EI) morreu durante um bombardeio na cidade de Raqqa, segundo informou nesta quinta-feira a emissora "ITV". Kadiza Sultana tinha 16 anos quando deixou sua casa no bairro londrino de Bethnal Green e aproveitou as férias escolares, em fevereiro de 2015, para viajar para a Turquia e atravessar a fronteira síria juntamente com duas amigas, Shamina Begum e Amira Abase, que na ocasião tinha 15 anos.

Segundo a rede de televisão, acredita-se que a estudante morreu durante um ataque russo em maio, quando aparentemente estava fazendo planos para escapar da cidade síria. Acredita-se que Kadiza estava em um prédio residencial na cidade de Raqqa, capital do "califado" do Estado Islâmico, no noroeste da Síria, quando a construção foi bombardeada por um avião russo.

"Estávamos esperando que isto acontecesse, de algum modo. Pelo menos agora sabemos que está em um lugar melhor", afirmou Halima Khanom, irmã de Sultana.

"A família está devastada. Diversas fontes afirmaram que (Sultana) foi assassinada. Não entrou em contato com sua família durante várias semanas", afirmou ao jornal The Guardian Tasnime Akunjee, advogado da família. "Não sei se é verdade, ninguém sabe nada ao certo, já que é uma zona de guerra", disse o advogado, acrescentando que a informação sobre a morte de Kadiza não tinha vindo de uma fonte oficial.

Em janeiro, Akunjee afirmou queas famílias das jovens estavam apreensivas, pois elas não tinham mais entrado em contato e na última mensagem uma delas - que ele não identificou - disse que os bombardeios estavam ficando cada vez mais próximos. 

A fuga das três menores através do aeroporto londrino de Gatwick provocou no ano passado recriminações entre as forças de segurança turcas e britânicas por falta de coordenação, ao mesmo tempo que levou as famílias das jovens a criticar os planos do governo britânico para evitar a radicalização de adolescentes.

Kadiza, Amira e Shamima tornaram-se símbolo da habilidade do Estado Islâmico de atrair mulheres estrangeiras para a causa jihadista. Proibidas de participar dos combates, as mulheres apóiam os esforços do EI de construir um califado ao se tornarem mulheres de jihadistas, recrutadoras e promotoras online dos atos do grupo terrorista. Segundo a ITV, as três britânicas casaram-se com combatentes estrangeiros, não sírios. Acredita-se que o marido de Kadiza, um americano de origem somali, morreu no final do ano passado.

Meses após a fuga das jovens, o governo britânico ordenou às escolas que vigiassem o acesso dos alunos à internet como parte de um programa para evitar a radicalização entre os adolescentes.  A medida foui tomada em resposta à crescente preocupação pelos casos de jovens que deixaram as famílias na Grã-Bretanha para viajar à Síria e ao Iraque a fim de se unir ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI). Segundo o governo, em alguns casos os alunos puderam acessar informações sobre o EI no próprio colégio. / EFE e NYT

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