Reprodução/BBC
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Adolescente britânico é condenado a 11 anos de prisão por esfaquear professor

Na frente do Tribunal, Vicente Uzomah, de 50 anos, perdoou publicamente o garoto, que no Facebook se vangloriou do que tinha feito

O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 17h03

LONDRES - Um menino de 14 anos foi condenado nesta segunda-feira, 10, a 11 anos de prisão por esfaquear, por motivos racistas, um professor da Academia Dixons Kings, em Bradford, no norte da Inglaterra, em 11 de junho.

Na frente do Tribunal, Vicente Uzomah, de 50 anos, perdoou publicamente o garoto, que no Facebook se vangloriou do que tinha feito. O adolescente passará seis anos em regime fechado em um centro de menores e os outros cinco sob vigilância em regime aberto.

De acordo com o promotor, Jonathan Sharp, o menino tinha contado a um amigo sobre seu plano violento, no qual utilizou uma faca de cozinha para atacar o professor na escola, para mais tarde relatar de forma "doentia" sua atuação nas redes sociais.

Segundo a sentença, há "provas claras" de que o adolescente agrediu Uzomah porque é negro. O rapaz, por sua vez, negou que sua intenção fosse matar, mas admitiu que causou lesões corporais graves ao professor de maneira proposital, além de gritar insultos racistas.

Segundo os depoimentos das testemunhas, o rapaz apunhalou o professor após uma discussão sobre seu telefone celular. O juiz Durham Hall, que esteve à frente da causa, o descreveu como capaz de perder o "controle" e um "pistoleiro" que "não podia tolerar uma bronca".

Sobre a postagem que o garoto fez no Facebook, que recebeu 69 "curtidas", o magistrado disse que é "um reflexo terrível de um pequeno sistema da sociedade".

Após conhecer a sentença, Uzomah disse que, como cristão, perdoava o jovem e sua família, mas que era importante o cumprimento da lei para passar a outros jovens de perfis similares "uma forte mensagem" que a violência é inaceitável.

"Rezamos para que ele faça uso das oportunidades e do apoio para se transformar em uma pessoa diferente e contribua positivamente para a sociedade", concluiu.

Em mensagem em seu site, a Academia Dixons Kings afirmou que este foi um crime impactante e os jovens tem de enfrentar às consequências de suas ações.

"Estamos muito contentes que o senhor Uzomah esteja tendo uma boa recuperação e seguiremos fazendo o que for possível para apoiar Vicente e a sua família", enfatizou a Dixons Kings. / EFE

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