Adolescente de Gaza retrata dias do conflito em tuítes

Garota de 16 anos acredita que essa é a forma que tem de ajudar a mostrar o que ocorre durante os confrontos

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 16h07

GAZA - Quando as bombas começam a explodir em Gaza, a adolescente palestina Farah Baker pega seu celular ou laptop antes de buscar cobertura e publica tuítes que capturam o tumulto e medo que a cercam.

As publicações da garota de 16 anos no Twitter a tornaram uma sensação das mídias sociais durante o conflito na região. Os seguidores de Farah na Internet passaram de 800 para 166 mil.

Morar perto do hospital Shifa, na Cidade de Gaza, onde seu pai é cirurgião, dá a Farah a chance de escutar as sirenes das ambulâncias e o barulho das explosões dos bombardeios de Israel. A menina frequentemente registra os sons e publica vídeos para mostrar um relato pessoal da guerra.

Um tuíte de 1.º de agosto continha o link para um vídeo de uma rua escurecida, pontuado pelos sons de repetidas explosões. Em outro tweet, Farah faz comentários sobre buscar abrigo da artilharia em um dos quartos de sua casa.

"Estou tentando dizer ao mundo sobre o que sinto e o que está acontecendo aqui", disse Farah à Reuters em sua casa em Gaza, acrescentando que tem tentado "fazer outras pessoas sentirem como se elas também estivesse passando por isso."

Farah disse estar surpresa com a popularidade que conseguiu. "Eu não esperava isso. Estava escrevendo para um pequeno círculo de pessoas e o número (de seguidores) tornou-se muito alto."

A menina sonha em se tornar advogada e espera que a profissão seja uma maneira de defender a região de Gaza. Ela diz que não é fácil superar os medos para enviar um tuíte, mas se sente obrigada a fazer isso. "Eu vejo isso como o único jeito que posso ajudar Gaza, mostrando o que está acontecendo aqui. Às vezes, mando um tuíte enquanto estou chorando ou com muito medo, mas eu digo a mim mesma que não devo parar." / REUTERS

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