Adolescente palestino é encontrado morto em Jerusalém

A morte de um adolescente palestino deu início a confrontos entre manifestantes e a polícia em Jerusalém Oriental nesta quarta-feira, após rumores de que o jovem teria sido linchado por um grupo de justiceiros judeus para vingar o sequestro e morte de três adolescentes israelenses.

Agência Estado

02 Julho 2014 | 09h18

Em poucas horas tiveram início protestos no bairro de Shuafat, em Jerusalém Oriental onde, segundo a polícia, o sequestro aconteceu. Dezenas de palestinos jogaram pedras contra um estação de veículos sobre trilhos e contra uma delegacia de polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pediu às autoridades que investiguem rapidamente o "assassinato repreensível" e solicitou aos dois lados que "não façam justiça com suas próprias mãos".

As tensões entre Israel e os palestinos aumentou depois que os corpos de três adolescentes israelenses foram encontrados na Cisjordânia, mais de duas semanas após seu desaparecimento.

Israel acusou o Hamas pelo sequestro e assassinato dos três jovens e deteve centenas de integrantes do grupo islâmico em toda a Cisjordânia. Os disparos de foguetes da Faixa de Gaza para Israel se intensificaram e foram respondidos com ataques aéreos israelenses.

O porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld, informou que a polícia recebeu informações, na manhã desta quarta-feira, que um adolescente palestino fora "forçado a entrar num veículo" numa região do leste de Jerusalém e que, uma hora mais tarde, um corpo foi encontrado em outra parte da cidade.

Segundo ele, a segurança foi intensificada em Jerusalém, para onde novas unidades foram enviadas, e que o serviços de veículos sobre trilhos foi interrompido. A polícia também fechou para visitantes um importante local sagrado na cidade velha de Jerusalém, depois de um grupo de palestinos ter atirado pedras contra policiais nas proximidades.

Autoridades israelenses pediram calma enquanto a polícia investiga os incidentes, com a expectativa de conter a violência.

"Tudo está sendo examinado. Há muitas possibilidades. Há uma possibilidade criminal, assim como uma política", declarou o ministro de Segurança Pública de Israel, Yitzhak Aharonovitch, à Rádio Israel. "Estou dizendo a todos, vamos esperar pacientemente."

Nabil Abu Rdeneh, porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas disse que Israel é considerado responsável pela morte e pediu que "os assassinos sejam encontrados e responsabilizados", segundo a agência oficial de notícias palestina Wafa.

O adolescente palestino, que foi identificado como Mohammed Abu Khdeir, de 17 anos, caminhava na manhã desta quarta-feira quando um carro se aproximou dele. O jovem foi forçado a entrar no veículo, que saiu em alta velocidade, informou seu primo Saed Abu Khdeir.

Na terça-feira, milhares de pessoas participaram do funeral de Eyal Yifrah, de 19 anos, Gilad Shaar, de 16, e Naftali Fraenkel, também de 16 anos, os três seminaristas judeus que desapareceram no mês passado e cujos corpos foram encontrados na segunda-feira num campo perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia.

Também nesta terça-feira, várias centenas de jovens israelenses de direita marcharam por Jerusalém, exigindo vingança pelas mortes. Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
ISRAELPALESTINOS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.