AFP PHOTO / ROYAL THAI NAVY / ROYAL THAI NAVY /
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Vídeo mostra momento em que adolescentes são encontrados em caverna na Tailândia

Grupo com 12 meninos jogadores de futebol e seu técnico estava preso no local desde 23 de junho; país trabalha em plano de resgate

O Estado de S.Paulo

02 Julho 2018 | 14h49
Atualizado 03 Julho 2018 | 03h37

MAE SAI, TAILÂNDIA - Equipes de resgate tailandesas e internacionais encontraram os 13 desaparecidos na caverna de Tham Luang Nan Non, no norte do país, nesta segunda-feira, 2. A informação foi confirmada pelo governador da província tailandesa de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn. O grupo é composto por 12 meninos e seu técnico de futebol. A Tailândia enfrenta agora o desafio de tirá-los de lá em segurança.

Eles desapareceram no dia 23 de junho, quando estavam explorando a caverna e ficaram presos por uma enchente que inundou parcialmente o local. "Nós os achamos, seguros. Mas a operação ainda não acabou", disse Narongsak. As crianças têm entre 11 e 16 anos, e seu técnico, 25 anos. Segundo o governador, o grupo ainda não está fora de perigo.

A Marinha tailandesa divulgou um vídeo do momento em que os meninos foram encontrados. 

 

Mergulhadores passaram grande parte da segunda-feira nos preparativos para um último esforço na busca pelo grupo. Homens da Marinha tailandesa e trabalhadores de resgate de outros países fizeram progresso depois de atravessar uma passagem estreita e uma das câmaras da caverna no domingo. 

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As águas, escuras e ainda altas, dificultaram o avanço. Quando os níveis caíram, os trabalhadores avançaram de maneira mais metódica, mantendo uma corda com suprimentos e oxigênio ao longo do caminho.

“Em quantos vocês estão aí?”, perguntou o mergulhador britânico que integra a força tarefa internacional mobilizada para encontrar os meninos. “Treze”, respondeu um deles. “Brilhante”, disse o mergulhador, que afirmou, em inglês, que as crianças estavam no local há dez dias e eram “muito fortes”.  

O governador explicou que eles se encontravam a 400 metros de onde inicialmente se acreditava que estivessem. É difícil tirá-los do local porque os meninos estão debilitados fisicamente e precisariam ter um treinamento para utilizar o equipamento de mergulho. 

As passagens das cavernas eram estreitas para os equipamentos de mergulho e os socorristas só conseguiram atravessá-las após alargarem uma delas. Bombas de sucção também foram utilizadas para reduzir o volume de água no local. 

Os meninos receberam suprimento de energia com gel de carboidrato enquanto um plano de resgate era posto em prática. Enquanto a água da caverna continua sendo bombeada, eles receberão alimentos para até quatro meses e nesse período receberão treinamento de mergulho para que possam sair de lá. 

No vídeo divulgado pela Marinha, um dos meninos pergunta se eles serão retirados de lá imediatamente. Ao perceber a câmera do mergulhador e ouvir uma língua que ele não entendia, diz em tailandês: “Oh, eles querem tirar uma foto. Diga a eles que estamos com fome e não temos nada para comer”, apela. Em seguida, afirma em inglês “eat, eat, eat” (comer, comer, comer). 

O vídeo mostra as crianças em suas camisas vermelhas de uniforme, algumas sentadas outras de pé. Do lado de fora da caverna, uma multidão aguardava e rezava para a saída delas a salvo. 

Especialistas em resgate de cavernas em todo o mundo continuam reunidos no local. Dentre os grupos de especialistas e socorristas, estão equipes de australianos, americanos, britânicos e chineses. "Essas são condições desafiadoras e há muita consideração pela segurança, assim como a maneira como o ambiente externo está afetando o ambiente interno", disse a capitã da Força Aérea dos Estados Unidos, Jessia Tait. Ela faz parte de uma equipe de 30 militares americanos.

Como os meninos saíram para explorar as cavernas após o treino de futebol, é pouco provável que eles tivessem comida com eles. Mas dado o tempo que eles sobreviveram e as condições em que foram encontrados, especialistas em saúde afirmam que certamente eles tinham água potável disponível – levada com eles ou encontrada na caverna. 

Uma das maiores preocupações é a possibilidade de os garotos estarem sob risco de descompressão se o ar que eles estiverem respirando na caverna estiver sob pressão da água que se elevou. Nesse caso, analistas apontam que a solução seria remover os meninos rapidamente, com oxigênio, para uma câmara hiperbárica portátil (nela, eles seriam submetidos à inalação de oxigênio puro em uma pressão maior que a atmosférica). Nas imagens em vídeo, eles parecem estar tranquilos.

O filho de Kham Phromthep, de 12 anos, está entre as vítimas presas na caverna. Ele contou ter ficado estático quando viu o menino no vídeo. “Fiquei muito feliz de ver seu rosto entre os demais. Estou muito, muito aliviado”, disse. “Ele perdeu algum peso, parece cansado. Mas mesmo assim estou muito feliz em vê-lo”, celebrou. / AP, REUTERS e NYT

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