Amir Cohen / Reuters
Amir Cohen / Reuters

Adolescentes suspeitos de apedrejar palestina são presos

Líderes judeus de direita usam as prisões para politizar ainda mais a corrida eleitoral em Israel

NYT, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2019 | 04h24

JERUSALÉM – Adolescentes judeus foram presos por conexão com o apedrejamento fatal da palestina Aisha Rabi, que aconteceu em na noite de 12 de outubro de 2018, uma sexta-feira. Aisha foi atingida na cabeça quando estava dentro de um carro, na companhia do marido e das duas filhas, próximo ao assentamento de Rehelim, na Cisjordânia. As informações são da Shin Bet, agência de segurança interna do Israel.

Os cinco suspeitos, que são estudantes de ensino médio de uma escola para rapazes ortodoxos em Rehelim, foram instruídos por ativistas sobre como se preparar para lidar com os interrogatórios da agência de segurança. Esses ativistas dirigiram do assentamento religioso de  Yitzar para Rehelim na manhã de sábado, o que levantou suspeitas das autoridades, já que dirigir no sábado é geralmente proibido para judeus praticantes.

Há suspeitas de que o apedrejamento aconteceu em retaliação a um ataque ocorrido na semana anterior, quando um atirador palestino matou dois trabalhadores israelenses.

Os advogados de três dos menores puderam entrar em contato pela primeira vez no último sábado, 5, por volta da meia noite. Eles negam que seus clientes tenham envolvimento com o caso. Contudo, eles afirmam que os outros dois adolescentes têm, sim, conexão com o assassinato, mas não puderam falar com nenhum advogado até o momento.

Líderes e ativistas de direita protestam contra as condições de detenção dos adolescentes, politizando o assunto durante uma campanha eleitoral já aquecida. Em um vídeo divulgado na noite de sábado, o rabino Haim Druckman, um influente líder e educador da comunidade religiosa, pediu ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu que liberasse os adolescentes.

Violência

Radicais começaram a atacar propriedades palestinas há mais de uma década, como parte de uma doutrina conhecida como "etiqueta de preço", exigindo ações do Exército e da polícia contra atividades de assentamentos e  vingando atos de terrorismo palestinos.

O ataque mais violento dos últimos anos aconteceu em julho de 2015, quando uma casa foi incendiada na vila de Duma, Cisjordânia, matando uma criança e seus pais.

Os judeus também têm ateado fogo em mesquitas, igrejas, terras palestinas e veículos. Além de deixar mensagens no local em hebreu. / NYT 

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