Adultos na Islândia e Chipre têm menos riscos de morte

Homens na Islândia e mulheres no Chipre têm os menores riscos de morte em todo o mundo, mostra um novo estudo. Com um levantamento realizado entre 1970 e 2010, os pesquisadores descobriram uma lacuna crescente entre países com os índices mais baixos e mais altos de morte prematura em adultos entre 15 e 60 anos. O estudo foi publicado na edição de hoje no jornal médico "Lancet".

AE-AP, Agência Estado

30 de abril de 2010 | 11h15

As descobertas estão em contraste com a tendência de mortalidade infantil e materna, que diminui na maioria dos países. Funcionários do setor de saúde acreditavam que, se a morte de crianças está diminuindo e os sistemas de saúde melhorando, a morte de adultos também deveria cair. Mas não foi o que os pesquisadores descobriram.

"A nova análise desafia as teorias comuns", escreveram Ai Koyanagi e Kenji Shibuya do departamento de políticas globais de saúde da Universidade de Tóquio, num comentário complementar. Eles não têm ligação com o estudo. Koyanagi e Shibuya disseram que não está clara a razão pela qual há diferenças importantes na morte de adultos entre os países.

Pesquisadores na Austrália e nos Estados Unidos calcularam os índices de morte em 187 países usando dados dos registros do governo, censos, pesquisas domésticas e outras fontes. A pesquisa foi patrocinada pela Fundação Bill & Melinda Gates. Apenas poucos países cortaram seus índices de morte em mais de 2% nos últimos 40 anos: Austrália, Itália, Coreia do Sul, Chile, Tunísia e Argélia.

Os Estados Unidos ficaram bem atrás, caindo para a 49ª colocação para mulheres e 45ª para os homens. Isso coloca o país atrás de todos os países da Europa ocidental, bem como do Peru, Chile e Líbia. "Definitivamente, os Estados Unidos estão na trajetória errada", disse Chris Murray, diretor do Instituto de Medicina Métrica da Universidade de Washington e um dos autores do estudo. "(Os Estados Unidos) gastam mais em saúde do que todos os demais países, mas aparentemente estão gastando nas coisas erradas.

"Murray afirmou que eles não têm certeza da razão pela qual alguns países, como a Austrália e a Coreia do Sul, têm tido sucesso em reduzir os índices de mortes, mas acreditam que políticas melhores, como o controle do tabaco e de acidentes automobilísticos, podem ser as responsáveis.

Os níveis de morte são maiores para homens na Suazilândia e mulheres na Zâmbia. Pesquisadores também descobriram que o número de mortos saltou na Europa oriental, talvez por causa do colapso do sistema de saúde depois do fim do bloco soviético e da grande quantidade de fumantes. Na África subsaariana, as mortes caíram, possivelmente em razão da ampla distribuição de remédios para aids.

Murray disse que a morte de adultos tem sido amplamente negligenciada nos Estados Unidos, exceto programas para tuberculose e aids. "Precisamos reconhecer o quão mal as coisas estão indo em algumas partes do mundo."

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