Adversário de Chávez encerra campanha com grande comício

O principal candidato da oposição da Venezuela, Manuel Rosales, encerrou no último sábado sua campanha eleitoral em Caracas com um grande comício, no qual afirmou que o presidente Hugo Chávez, que lidera as pesquisas de intenções de votos, perderá as eleições do dia 3 de dezembro. Rosales disse que, se eleito, o primeiro decreto que assinará será o que tornará realidade o cartão de débito "Mi Negra", por meio do qual "o povo receberá diretamente o dinheiro do petróleo venezuelano pela primeira vez na história do país". Segundo Rosales, todos os venezuelanos terão direito a esse cartão. Ele será recarregado todo mês com fundos provenientes da venda de petróleo, o que deve custar para o Estado menos de US$ 18 bilhões por ano. No dia 3 de dezembro, cerca de 16 milhões de venezuelanos escolherão o presidente que governará o país entre 2007 e 2013. O candidato com mais possibilidades de ganhar é, segundo as pesquisas, o presidente Chávez, que tenta a reeleição. O comício pela candidatura de Rosales foi feito no leste de Caracas, onde a população é mais rica, e recebeu grupos que vieram de outros cinco pontos de reunião, também situados em bairros de classe média. "A Venezuela está na rua para escolher um novo presidente", disse o candidato opositor, que se comprometeu a "lutar para que Caracas volte a ser a capital do céu da Venezuela". O evento aconteceu em um ambiente festivo, sem incidentes, e foi acompanhado por grupos musicais. Rosales prometeu construir e financiar casas para todos, combater a insegurança, acabar com a existência de crianças abandonadas nas ruas, libertar os que qualificou de "presos políticos" e promover o retorno dos "exilados". Da mesma forma, o candidato desafiou novamente o presidente Hugo Chávez, seu principal rival nestas eleições, a "debater diante do povo suas propostas de comunismo e socialismo do século XXI" diante da "proposta de democracia social" que ele diz querer representar. "Vou ser o presidente de 26 milhões de cidadãos para reconciliar a Venezuela", disse Rosales, que pediu a ajuda de todos "não só para ganhar no dia 3 de dezembro mas também para governar". A campanha eleitoral será encerrada no dia 1º de dezembro às 6 horas (8 horas de Brasília). Por esse motivo, Rosales dedicará o resto da semana a atos de campanha em outras regiões do país, especialmente no estado de Zulia, onde é governador. O comício recebeu a visita de um helicóptero oficial e também de um mini-helicóptero, contratado por sua equipe de campanha e dirigido a controle remoto, que gravou imagens da concentração. "Esse é o helicóptero da criatividade do povo", disse Rosales, que criticou a lei que proíbe as aeronaves particulares de sobrevoarem concentrações públicas por motivo de segurança. Ao contrário do que ocorreu na Venezuela em eleições anteriores, nas quais a oposição incentivou o não-comparecimento às urnas com o argumento de que o sistema automático de votação não era confiável, Rosales disse que estas eleições serão feitas "em um processo absolutamente confiável". O candidato da oposição é o principal rival de Chávez para sua reeleição, já que os outros 13 candidatos opositores são praticamente desconhecidos da grande maioria dos venezuelanos. As pesquisas, que só poderão ser divulgadas até a meia-noite deste domingo, continuam indicando, a uma semana das eleições, uma clara vantagem de Chávez, que, na média, tem 20% das intenções de votos.

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