Justin Tallis / AFP
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Advogada diz que aliado de Trump ofereceu acordo a Assange em troca de informações sobre e-mails

Fundador do WikiLeaks enfrenta processo de extradição para os EUA, onde é acusado de conspirar para invadir computadores do governo e violar uma lei de espionagem sobre a divulgação de comunicação confidencial

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 20h28

LONDRES - Jennifer Robinson, advogada de Julian Assange, fundador do WikiLeaks, afirmou nesta sexta-feira, 18, em um tribunal de Londres que presenciou uma oferta feita ao seu cliente pelo deputado republicano Dana Rohrabacher, aliado do presidente americano, Donald Trump. Em troca de informações que beneficiariam politicamente o presidente, Assange poderia ficar livre de ações judiciais nos EUA. 

O encontro, segundo a advogada, teria ocorrido em 2017, na Embaixada do Equador em Londres. Assange, de 49 anos, enfrenta um processo de extradição para os EUA, onde é acusado de conspirar para invadir computadores do governo e violar uma lei de espionagem sobre a divulgação de comunicação confidencial, o que foi feito pelo WikiLeaks em 2010 e 2011.

De acordo com Jennifer, Rohrabacher e um assistente se ofereceram para providenciar um perdão para Assange em troca de informações sobre a invasão dos servidores do Partido Democrata, antes da eleição de 2016. Durante a campanha, o WikiLeaks divulgou e-mails do Comitê Nacional Democrata, o que prejudicou Hillary Clinton.

A proposta de Rohrabacher, segundo a advogada, era que Assange identificasse a fonte que enviou os e-mails ao WikiLeaks em troca de alguma forma de perdão judicial. “Eles afirmaram que Trump estava ciente. Ele tinha aprovado sua vinda para se encontrar com Assange e discutir uma proposta. Eles teriam uma audiência com o presidente para discutir o assunto na volta a Washington”, afirmou Jennifer, sob juramento.

A alegação não chega a ser novidade. A equipe jurídica de Assange já havia declarado, em fevereiro, que Rohrabacher de fato fez a proposta. Na época, a Casa Branca respondeu que se tratava de “uma mentira total”.

O deputado republicano garante que não falou com Trump sobre Assange e negou ter sido enviado em nome do presidente – ele esteve em Londres, mas estaria agindo por conta própria ao oferecer um acordo. / EFE

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