Advogada libanesa diz que islã prevê um papel social ativo da mulher

Aziza al Hibri, em entrevista a jornal do Líbano, afirma que muitos não conhecem o islã direito

Efe,

16 de junho de 2011 | 16h04

BEIRUTE - A advogada libanesa e americana, Aziza al Hibri, a primeira mulher a dirigir a Comissão Americana de Liberdade Religiosa Internacional, assegurou que o islã contempla um papel ativo da mulher na sociedade.

 

Em uma entrevista publicada nesta quinta-feira, 16, no jornal libanês Daily Star, al Hibri explicou que em suas investigações sobre o islã descobriu que os verdadeiros ensinamentos da religião fomentam o trabalho da mulher, que deve "assumir um papel ativo na sociedade e desenvolver as habilidades que Deus lhe deu."

 

A advogada, que foi nomeada diretora da instituição americana na semana passada, afirmou que a falta de reconhecimento dos direitos das mulheres muçulmanas se deve a um desconhecimento da religião. "Muitas vezes, as pessoas pensam que conhecem sua religião, mas não procuram suas fontes e não estudam porque não têm tempo", disse Hibri.

 

Ela acredita que o primeiro desafio é superar a ignorância que existe sobre os direitos das mulheres muçulmanas, que são mencionados em textos religiosos. A advogada citou como exemplo a violência doméstica, que o islã qualifica como um erro moral e social. "Alá não permite a violência contra as mulheres", esclarece.

 

Hibri acredita que com esse argumento, os tribunais civis que julgam casos de violência doméstica poderiam fazer muito para ajudar as mulheres. "As mulheres, assim como os homens, precisam entender que a violência doméstica não é permitida e é um erro. As pessoas que toleram esse tipo de violência precisam revisar e voltar a ler seus textos religiosos", acrescentou.

 

Na entrevista, a advogada recordou que práticas atualmente associadas ao islã, como a mutilação genital, por exemplo, são costume tribais que foram incorporados a religião com no passar dos séculos. Hibri insiste que deve haver um retorno aos verdadeiros fundamentos da religião.

 

Hibri destacou que irá ajudar na promoção de leis favoráveis as mulheres no Líbano, seu país natal, e expressou sua decepção pelo novo gabinete de ministros do país não ter nenhuma mulher. Porém, a advogada reconheceu que o Líbano "está atravessando uma situação complicada" e que dadas as circunstâncias, o governo libanês "fez o melhor que pode."

 

 

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