Advogadas lutam para encontrar país que receba preso

Segundo Sarika Saxena e Fabiana Araujo, o Brasil seria alternativa para tirar o sírio Abdulhadi Faraj de Guantánamo

FERNANDA SIMAS, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h07

As advogadas que representam o sírio Abdulhadi Faraj, de 42 anos, tentam encontrar um país que aceite recebê-lo. Preso em Guantánamo desde 2001, ele obteve do governo dos EUA uma autorização para sair da prisão em 2009. A permissão, segundo as advogadas, teve aval do Departamento de Defesa e do FBI.

No entanto, segundo a legislação americana, ninguém pode ser enviado de volta ao país de origem se sua segurança não estiver garantida. Por isso, Faraj não pode retornar à Síria, que há dois anos vive uma guerra civil. "Estamos iniciando o processo diplomático. As discussões com outros países foram prejudicadas porque não podíamos divulgar essa informação (permissão de transferência) antes", conta Fabiana Araujo, que defende o sírio junto com a colega Sarika Saxena.

Elas explicam que o documento não podia ser usado pelos advogados por ser confidencial. Isso mudou no ano passado, quando o presidente Barack Obama permitiu a utilização da lista. Para as advogadas, a mudança ocorreu porque o iemenita Adnan Latif - que nunca foi acusado formalmente e estava preso havia mais de dez anos - morreu em Guantánamo.

Críticas. Segundo as advogadas, 86 presos de Guantánamo têm autorização para deixar a prisão. Uma lista de transferência elaborada em setembro, à qual o Estado teve acesso, aponta o nome de 55 presos, mas o documento não inclui aqueles cuja transferência é mantida em sigilo.

Fabiana e Sarika afirmam que mais presos foram liberados sob a presidência de George W. Bush (532) do que a de Obama (72 até agora). A maioria dos prisioneiros foi enviada para países como Albânia, França, Holanda, Rússia, Bósnia e Turquia. Um relatório da ONG Human Rights Watch, de 2009, mostra que ex-presos de Guantánamo que viviam na Europa não se envolveram em atividades extremistas.

Segundo as advogadas, uma das opções para transferir Faraj é o Brasil. "Nossa esperança é que o Brasil esteja disposto a nos ajudar a fornecer a Faraj um lugar que ele possa chamar de lar", disse Fabiana.

Faraj é um dos que presos em greve de fome em Guantánamo e já perdeu 16 quilos. De acordo com suas advogadas, 80% dos presos aderiram. "Só não estão participando da greve os mais velhos ou debilitados", afirmou Fabiana.

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