REUTERS/Nir Elias
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Advogado americano culpa regime chinês por desaparecimento de mulher de dissidente

Jared Genser afirma que Liu Xia, viúva do ganhador do Nobel da Paz Liu Xiaobo, ‘está detida pelas autoridades chinesas em um lugar desconhecido’ desde 15 de julho, dia do funeral do marido

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 10h33

PEQUIM - O advogado americano do dissidente chinês Liu Xiaobo, morto em julho, e de sua mulher, Liu Xia, acusou nesta quinta-feira, 3, o regime chinês de ser responsável pelo desaparecimento e prisão dela, que estava reclusa desde a morte do marido, ganhador do prêmio Nobel da Paz.

Jared Genser anunciou que já apresentou uma denúncia na ONU sobre o caso. Liu Xia "está detida pelas autoridades chinesas em um lugar desconhecido" desde 15 de julho, dia do funeral do opositor, afirma o texto apresentado pelo advogado ante o Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários da ONU.

"Exijo que as autoridades chinesas forneçam imediatamente uma prova de que Liu Xia está viva e autorizem o acesso irrestrito a sua família, amigos, advogados e comunidade internacional", acrescenta Genser no documento.

Liu Xia, de 56 anos, estava em prisão domiciliar em seu apartamento em Pequim desde que Liu Xiaobo ganhou o Nobel da Paz em 2010, depois de ter sido condenado a 11 anos de prisão por "subversão" ao exigir reformas democrática na China. Sua mulher nunca foi condenada ou processada.

Desde o dia anterior à morte do marido, Liu Xia não esteve em contato com qualquer membro de sua família, de acordo com Genser. O regime comunista publicou fotos dela tiradas durante o funeral de Liu Xiabo, mas desde então não revelou onde ela estava.

Liu Xiabo morreu de câncer de fígado no dia 13 de julho aos 61 anos em um hospital no nordeste da China, poucas semanas depois de ter sido colocado em liberdade condicional por motivos de saúde.

Pequim, acusado de ser responsável pela degradação de sua saúde, não permitiu que o dissidente viajasse para o exterior para se tratar. / AFP

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