Advogado ativista será julgado por subversão na China

Hu Jia, de 34 anos, atende portadores de Aids e defende a autonomia do Tibet entre outras coisas

CHRIS BUCKLEY E BENJAMIN KANG LIM, REUTERS

08 de março de 2008 | 13h30

O destacado dissidente Hu Jia enfrentaráum julgamento em breve depois que promotores decidiram acusá-lode subversão, disse seu advogado no sábado, enquanto outroadvogado ligado aos direitos humanos e próximo de Hu eralibertado de uma breve detenção.Hu, um advogado de 34 anos, que atende doentes com Aids edefende a autonomia do Tibet e outras causas, foi detido pelapolícia em dezembro último sob a acusação de "incitar asubversão." Ativistas dos direitos humanos locais e internacionaisexigiam sua libertação antes dos Jogos Olímpicos dePequim-2008, quando o país pretende exibir seu progresso sociale econômico.Mas na sexta-feira, oficiais da procuradoria de Pequim disserama advogados de Hu ter aceitado o caso policial contra ele e queo levarão ao tribunal. "Nós fomos informados ontem pela procuradoria que haverá embreve um julgamento pela acusação de incitar a subversão",disse o advogado de Hu, Li Fangping, à Reuters, por telefone. Li disse que as acusações tinham como base declarações deHu a repórteres estrangeiros. "Eles o estão acusando de atacaro sistema socialista", disse Li. Autoridades frequentemente estabelecem acusações de"incitar a subversão" contra dissidentes que fazem durascríticas ao governo do Partido Comunista, e a pena em geral vaide alguns meses a muitos anos de prisão. O tribunal é obrigado a julgar Hu agora que promotoresdecidiram tentar sua condenação, disse Li. "É agora uma questãode quando (será o julgamento)", disse Li. "Pode ocorrer aindaneste mês." ATENÇÃO INTERNACIONAL O julgamento de Hu deve ser foco de uma intensa atençãointernacional por parte de grupos de direitos humanos egovernos, enquanto Pequim se prepara para a abertura dos JogosOlímpicos, em 8 de agosto. Hu, um budista que passou a maior parte do ano passado emprisão domiciliar, descreveu o seu confinamento em artigos naInternet e em vídeos, e frequentemente falou com repórteresestrangeiros. Ele e sua mulher, Zeng Jinyan, também uma ativista, tiveramseu primeiro filho dois meses antes de ele ter sido levado decasa pela polícia, em dezembro. No mês passado, a ONG nova-iorquina Human Rights Watchdivulgou um ensaio escrito por Hu e um colega ativista, TengBiao, no ano passado, denunciando o que eles chamavam dedeterioração dos direitos humanos na China antes dos jogos dePequim. "Permitir um país que esmaga os direitos humanos a receberas Olimpíadas não traz honra ao povo deste país nem leva glóriaaos Jogos Olímpicos", escreveu. No que pode ter sido um alerta a defensores locais de Hu,Teng Biao, um advogado e conferencista que trabalhou emdiversos casos do gênero, foi detido por homens em um carro semplacas na noite de quinta-feira, disse sua esposa Wang Liang ajornalistas na sexta-feira. A polícia chinesa libertou Teng no sábado, depois que suadetenção secreta de dois dias atraiu críticas de defensoreslocais e internacionais dos direitos humanos.

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