Advogado de francês diz que seu cliente alega inocência

Representante, que já defendeu Michael Jackson, disse não ter definido estratégia para o caso do executivo do FMI

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

A acusação de ataque sexual a uma camareira de Nova York foi negada pelo advogado do diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, preso desde o sábado em Manhattan. Conhecido por defender o cantor Michael Jackson em uma acusação de pedofilia, Benjamin Brafman afirmou não ter definido a estratégia de defesa do francês. "Meu cliente se diz inocente."

Uma das possibilidades de defesa seria o uso da imunidade diplomática, mas há dois pontos, segundo analistas ouvidos pelo Estado, que inviabilizariam essa alternativa: Strauss-Kahn não é diplomata, pois trabalha para uma organização multilateral e não representa um governo; a imunidade se aplica apenas a casos em que o acusado esteja ligado à sua função durante os atos que praticou e não em crimes como o de tentativa de estupro.

Ontem, foram anunciados novos detalhes do episódio de que Strauss-Kahn é acusado, que transformaram o antes favorito a concorrer contra Nicolas Sarkozy no ano que vem em alvo de piadas dos tabloides americanos.

Segundo a acusação, por volta das 13 horas (de Nova York), a camareira entrou no quarto para a limpeza, já que o horário do check-out havia passado. Enquanto a mulher limpava a suíte do Sofitel da Times Square, Strauss-Kahn teria saído nu do banheiro e a agarrado. Em seguida, de acordo com a versão, ele levou a camareira até a cama, de onde ela escapou. A mulher contou em depoimento que fugiu para o banheiro, onde, mais uma vez, Strauss-Kahn tentou um ataque.

Segundo fontes do New York Post, a camareira disse que foi sodomizada, mas não houve confirmação. O acusado teria impedido a saída dela do quarto, mas ela conseguiu fugir. Strauss-Kahn teria saído apressado e esqueceu o celular e outros pertences. A polícia foi chamada e soube que o francês embarcaria para a França. Ele foi preso dentro do avião, às 16h30, minutos antes da decolagem.

Ontem a polícia de Nova York conseguiu uma nova ordem para examinar as roupas do diretor do FMI à procura de traços de DNA. Caso seja condenado, Strauss-Kahn poderá pegar até 20 anos de prisão.

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