Advogado de juíza presa política é sentenciado a 6 meses

José Amalio Graterol, condenado por obstrução da Justiça, denuncia manipulação política do Poder Judiciário

CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h04

O advogado José Amalio Graterol, defensor da juíza María Lourdes Afiuni, considerada presa política do governo de Hugo Chávez, foi condenado ontem a seis meses de prisão por "obstrução da Justiça".

Segundo o próprio advogado, a decisão mostra que o Judiciário está nas mãos do Executivo venezuelano. Ele reclamou que o juiz não aceitou o testemunho de sua defesa. "É parte do efeito Afiuni. A sentença busca amedrontar todo o conjunto de advogados da Venezuela, para que nenhum possa exercer a profissão. Mas a luta não acaba com uma condenação. Estamos certos de que há uma manipulação política do Poder Judiciário a partir da presidência do Tribunal Supremo de Justiça", disse ao jornal El Universal. A decisão foi tomada pelo juiz Víctor Yépez em um tribunal do Estado de Vargas.

Ele disse ainda que interpreta a condenação como "uma condecoração diante dos momentos em que se vive no país".

Violação. Em novembro, a juíza Afiuni, um dos símbolos usados pela oposição para denunciar o domínio do chavismo sobre o Judiciário, denunciou ter sido violentada na prisão. Afiuni foi presa em 2009, após libertar um banqueiro e desde 2011 está em prisão domiciliar em razão de problemas de saúde. Ela passou mais de um ano na prisão feminina de Caracas, onde teria ocorrido a violencia sexual.

A revelação da juíza, cujo julgamento por suposta corrupção é considerado "arbitrário" pela ONU, aparece no livro Afiuni, la presa del comandante.

Segundo Graterol, entidades como a ONU e organismos governamentais tinham sido colocados a par da violação, e é de conhecimento de Chávez "desde o momento em que ocorreu".

Afiuni foi também vítima de lesões com arma branca e queimaduras de cigarro em várias partes de seu corpo, acrescentou o advogado.

A juíza foi formalmente acusada, em janeiro de 2010, de corrupção, abuso de autoridade e de favorecer a evasão do banqueiro Eligio Cedeño, detido desde 2007 por suposta fraude, que fugiu após conseguir a liberdade condicional. / R.C.

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