Advogado de Saddam confirma detenção de 4 testemunhas da defesa

O chefe da equipe de defesa do deposto presidente iraquiano, Saddam Hussein, o advogado Khalil al-Dulaimi, disse nesta quinta-feira que as tropas dos Estados Unidos e do Ministério do Interior iraquiano são os "responsáveis" pelo destino de quatro testemunhas da defesa detidas na quarta-feira à noite no Iraque.O advogado acrescentou que "as quatro testemunhas foram detidas, agredidas e humilhadas de forma brutal, na frente da equipe de defesa, por tropas dos EUA e agentes do Ministério do Interior".Al-Dulaimi acrescentou que vários membros da equipe de defesa foram "agredidos e insultados" depois da audiência realizada na quarta-feira em Bagdá.O advogado pediu que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e as organizações internacionais de direitos humanos "intervenham para garantir a libertação das testemunhas da defesa".Al-Dulaimi disse que as testemunhas foram detidas depois do pedido do juiz Rauf Abdulrahman, presidente da Corte que julga Saddam, pois que elas "deram novas informações que deixou o tribunal perplexo"."Alguns deles disseram que pelo menos 30 das 148 pessoas que o promotor Jaafar al-Moussaoui diz que foram assassinados em Dujail continuam vivos", lembrou Al-Dulaimi.O advogado acrescentou que um dos detidos "foi mais longe e ofereceu ao tribunal dar a localização de um deles".Para o advogado, a detenção destas testemunhas é uma tentativa do tribunal de "enviar uma mensagem às outras testemunhas da defesa para não irem (à Corte)"."Milhares de pessoas se apresentaram voluntariamente para testemunhar a favor do presidente, mas a equipe de defesa escolheu 100 deles", disse o advogado.Na audiência de quarta-feira do julgamento de Saddam Hussein e sete ex-colaboradores houve uma dura troca de acusações entre a defesa e o tribunal.O deposto presidente iraquiano disse que "o tribunal aterroriza as testemunhas da defesa, enquanto nunca fez isso com as testemunhas da acusação".As declarações de Saddam acontecem depois que o juiz acusou uma das testemunhas da defesa de "perjúrio", afirmando que o promotor-geral, Jaafar al-Moussaoui, tinha oferecido US$ 400 para que mudasse seu testemunho e depusesse contra Saddam.

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