Ivan Sekretarev/AP
Ivan Sekretarev/AP

Advogado de suspeito pela morte de opositor russo pede fim de prisão

Pedido foi feito após publicação de que Dadaev teria sido torturado para confessar participação na morte de Boris Nemtsov

O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 11h44


MOSCOU - O advogado do checheno Zaur Dadaev, principal acusado da morte do opositor russo Boris Nemtsov, entrou com um pedido de relaxamento da prisão preventiva determinada até 28 de abril contra seu cliente.

"Recebemos um recurso do defensor de Dadaev que pede a mudança da medida cautelar em forma de prisão preventiva", informou uma porta-voz do tribunal Basmanni de Moscou. Dadaev, ex-membro das forças especiais da Chechênia, e o também checheno Anzor Gubashev são acusados de matar o político liberal russo, baleado em 27 de fevereiro em frente ao Kremlin, e por posse ilegal de armas.

O advogado do acusado decidiu recorrer contra a prisão preventiva depois de o jornal Moskovski Komsomolets denunciar na quarta-feira que Dadaev e Gubashev teriam sido torturados para confessarem o envolvimento no assassinato.

Ao jornal, Dadaev desmentiu completamente seu testemunho anterior, no qual admitia ter disparado quatro balas nas costas de Nemtsov quando ele passeava com uma ucraniana por uma ponte sobre o rio Moscova.

Mikhail Fedotov, chefe do Comitê de Direitos Humanos (CDH), ligado ao Kremlin, criticou a decisão de interrogar o ativista e a jornalista que publicou as revelações sobre torturas. "Pessoalmente, não vejo nenhum sentido em seu interrogatório. Pode ser que os instrutores nos expliquem que relação eles têm com o assassinato de Nemtsov. É evidente que não têm qualquer relação com o assassinato. Isto todos sabem."

Ele antecipou que pediu autorização ao Comitê de Instrução para que os membros do CDH possam visitar os acusados na prisão nesta sexta-feira.

Caso sejam confirmadas, as denúncias de torturas jogariam por terra a versão de que Dadaev cometeu o assassinato motivado pelas críticas de Nemtsov ao islã e defesa das caricaturas de Maomé publicadas pelo jornal francês Charlie Hebdo.

Tanto a filha de Nemtsov como o advogado da família e seus correligionários tinham posto em dúvida o rastro islamita e insistem que o opositor foi vítima de "um assassinato político".

A imprensa local publicou a denúncia apresentada por Nemtsov ao Comitê de Instrução por causa das ameaças de morte que havia recebido, motivadas por sua posição contra a ingerência militar russa na Ucrânia. /EFE

Mais conteúdo sobre:
RússiaBoris NemtsovZaur Dadaev

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.