AP/Carolyn Kaster
AP/Carolyn Kaster

Advogado de Trump defendeu empresário venezuelano de acusação nos EUA

Jornal 'Washington Post' revela laços entre Giuliani, o arquiteto das pressões sobre a Ucrânia que prometem levar a um julgamento político de Trump, e um venezuelano investigado em esquema de lavagem de dinheiro nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 18h17

WASHINGTON  - O advogado pessoal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Rudy Giuliani, defendeu o empresário venezuelano Alejandro Betancourt López neste ano e pressionou o Departamento de Justiça americano a não apresentar queixa contra ele por lavagem de dinheiro e extorsão, em um aparente conflito de interesses.

O jornal The Washington Post revelou nesta terça-feira, 26, os laços entre Giuliani, o arquiteto das pressões sobre a Ucrânia que prometem levar a um julgamento político de Trump, e Betancourt, investigado nos EUA por seu suposto envolvimento em um esquema para lavar dinheiro desviado da companhia petrolífera estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).

Os dois se encontraram em Madri no início de agosto, quando o advogado ficou em uma luxuosa residência de propriedade de Betancourt e falou sobre a investigação do Departamento de Justiça que ameaçava afetá-lo, segundo o jornal, que cita várias fontes envolvidas no caso.

Um mês depois, Giuliani fez parte de uma equipe de advogados do empresário que se reuniu com o chefe da divisão criminal do Departamento de Justiça e argumentou que seu cliente não deveria enfrentar acusações criminais em um caso federal de lavagem de dinheiro apresentado no ano passado, na Flórida.

O advogado pessoal de Trump pressionou o governo dos EUA, liderado por seu principal cliente, a não processar outro de seus principais contratantes, Betancourt.

Giuliani continuou a aceitar ofertas de emprego de clientes estrangeiros desde que começou a representar Trump, e nega que isso seja um conflito de interesses. Segundo ele, não cobra nada pelo seu trabalho para o chefe de Estado americano.

O caso Betancourt aponta para um grupo de empresários venezuelanos e funcionários da PDVSA conspirando para roubar cerca de US$ 1,2 bilhão da estatal petrolífera e lavá-los por meio de compra de imóveis em Miami e complexos esquemas de investimento.

Betancourt ainda não foi identificado como réu no caso, que também afeta os enteados do presidente venezuelano Nicolás Maduro. No entanto, fontes próximas à investigação disseram ao jornal The Miami Herald neste mês que ele é o "Conspirador 2" na acusação.

Segundo o documento, o empresário e seu primo, Francisco Convit Guruceaga, receberam US$ 272,5 milhões graças ao esquema, embora Betancourt, por meio do advogado Jon Sale, tenha negado ter cometido qualquer crime.

O empresário venezuelano é o fundador da Derwick Associates, que se envolveu em acusações de pagamento de propina para assinar contratos vantajosos para diferentes projetos na Venezuela.

Sale, advogado de Betancourt, é um velho amigo de Giuliani e o representou brevemente no caso da Ucrânia, informando ao Congresso que o advogado de Trump não cumpriria suas intimações.

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Durante a visita a Madri para se encontrar com Betancourt, Giuliani também se encontrou com Andrey Yermak, conselheiro do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, para continuar pressionando para que Kiev investigue o ex-vice-presidente americano Joe Biden.

A residência de Betancourt em Madri também recebia dois dos associados de Giuliani, Lev Parnas e Igor Fruman, que agora enfrentam acusações de violações da lei de campanha, de acordo com o Washington Post, que vê cada vez mais evidências de que a justiça americana também está investigando o advogado de Trump. / EFE

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