Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Advogado de Trump amplia acusações contra presidente no Congresso

Michael Cohen chamou Trump de “racista, vigarista e trapaceiro”, e afirmou que o presidente sabia de três atos que são foco da investigação criminal sobre a interferência russa nas eleições de 2016

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 12h45
Atualizado 27 de fevereiro de 2019 | 21h41

WASHINGTON  -  Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump, ampliou as acusações contra o presidente em depoimento ao Congresso nesta quarta-feira, 27. Além de chamar Trump de “racista, vigarista e trapaceiro”, Cohen afirmou que o presidente sabia de três atos que são foco da investigação criminal sobre a interferência russa nas eleições de 2016 e a violação das leis de financiamento de campanha. 

 Segundo o advogado, o presidente sabia do encontro de um dos seus assessores, Roger Stone, com representantes do WikiLeaks durante a campanha presidencial. Cohen afirmou que Trump sabia também da divulgação dos e-mails internos do comitê democrata, divulgados pelo WikiLeaks, antes de se tornarem públicos. Há suspeita de que as mensagens foram obtidas por hackers russos. 

 O ex-advogado de Trump foi condenado a três anos de prisão pelos crimes de fraude, violação às leis de financiamento de campanha eleitoral e falso testemunho ao Congresso. Ele começa a cumprir sua sentença em maio. Cohen foi um dos assessores mais próximos de Trump, desde 2007, e um dos principais defensores do republicano.

Nesta quarta-feira, 27, Cohen levou provas do suborno pago a duas mulheres pouco antes da eleição de 2016 para silenciá-las e evitar a divulgação de casos extraconjugais do presidente. O ex-advogado também afirmou que Trump orientou as negociações para a construção de uma Trump Tower em Moscou durante a campanha de 2016. Trump nega as acusações e garante que nunca teve negócios na Rússia durante a eleição. 

A estratégia dos republicanos tem sido atacar a credibilidade de Cohen, que já mentiu para o Congresso antes. No Twitter, Trump acusou seu ex-advogado de estar mentindo para reduzir seu tempo de prisão. No Vietnã, onde está reunido com o ditador norte-coreano Kim Jong-un, Trump acompanhou o depoimento, segundo assessores.

Até agora, a questão por trás das investigações que atingem o entorno de Trump é se o presidente sabia e participou de irregularidades. É isso que pode fazer a investigação do procurador especial, Robert Mueller, passar da esfera política e criar implicações legais a Trump. 

Richard Hasen, professor de Direito da Universidade da Califórnia, acredita que Cohen deu declarações que podem complicar o presidente. No entanto, para transpor isso para a esfera legal seriam necessárias outras evidências. “Se corroboradas por outras provas, é possível mostrar que Trump cometeu crimes. Mas, só com base no depoimento, não há evidências suficientes”, afirmou.

O âncora da NBC, Chuck Todd, disse ontem que Cohen deu o primeiro “depoimento informal” do processo de impeachment de Trump. Apesar de os democratas estarem no controle da Câmara, a maioria republicana no Senado é uma trava para o processo.

Nos EUA, assim como no Brasil, o processo de impeachment precisa passar primeiro pela Câmara e depois pelo Senado. A maioria simples dos deputados aprovam o impeachment, mas é preciso dois terços dos senadores para condenar um presidente. “O impeachment é uma questão muito mais política e, dado o cenário atual, imagino que precisaríamos de muito mais evidências do que vimos até agora”, afirma Hasen.

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