Andrew Harnik/AP
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Advogado de Trump tentou negociar fim da era Maduro, diz jornal

Segundo 'Washington Post', conversa com presidente da Venezuela surpreendeu outros funcionários da presidência americana

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2019 | 05h00

WASHINGTON - O advogado pessoal do presidente Donald Trump, Rudolph Giuliani, participou de um telefonema em um esforço diplomático secreto para tentar negociar com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sua saída do poder. 

De acordo com reportagem do Washington Post, o telefonema de setembro de 2018 teve também a participação do deputado republicano Pete Sessions, apoiado em parte por interesses privados, e tinha o objetivo de reabrir economicamente a nação rica em petróleo. 

Sessions serviu como emissário do contato futuro, visitando Maduro em Caracas naquela primavera. A ligação, à qual Giuliani se juntou, foi um segmento da visita, disse Matt Mackowiak, porta-voz de Sessions, ao Post

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A conversa envolvendo Maduro e o advogado de Trump, que até então não havia sido revelada, é mais um exemplo de como Giuliani tem usado seu papel privado para se inserir na diplomacia americana, alarmando funcionários do governo confusos sobre quais interesses ele está representando. 

Giuliani conduziu uma campanha similar este ano na Ucrânia, na qual ele pressionou autoridades locais para anunciar uma investigação contra um adversário de Trump e assim beneficiá-lo - uma aventura que levou ao processo de impeachment do presidente este mês

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A informação sobre a conversa de Giuliani com Maduro chegou às autoridades da Casa Branca sem que ninguém soubesse por que ele estava envolvido, de acordo com um ex-alto funcionário do governo.

Na época, sob o assessor de Segurança Nacional John Bolton, a política era de aumentar as sanções e adotar uma linha mais dura contra o governo venezuelano. 

Antes do telefonema, Giuliani se reuniu com Bolton para discutir o plano de facilitar a saída de Maduro do cargo, mas isso foi rejeitado veementemente por Bolton, segundo fontes familiarizadas com a reunião. Nem Giuliani, nem a Casa Branca quiseram comentar. / W. POST 

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