EFE/EPA/STR
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Defensor de rebeldes curdos é morto durante pronunciamento na TV

O ministro do Interior da Turquia afirmou que o ataque foi contra policiais e o advogado teria morrido em um confronto posterior; uma associação ligada ao movimento curdo, no entanto, disse que ele foi o alvo dos disparos

O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2015 | 13h57

ANCARA - Um proeminente advogado e defensor dos direitos humanos turco, que enfrentou uma acusação criminal por apoiar os rebeldes curdos, foi morto neste sábado, 28, em um ataque no sudeste da Turquia. Um policial também morreu no atentado, informaram as autoridades do país. Tahir Elci foi baleado enquanto ele e outros advogados faziam uma declaração à imprensa. Dois policiais e um jornalista também ficaram feridos.

Ainda não há informaços sobre quem estava por trás do ataque, e os relatos sobre os motivos que levaram à morte de Elci são conflitantes. O ministro do Interior da Turquia, Efkan Ala, e outros funcionários disseram que o ataque foi contra os policiais e Elci teria morrido em um confronto posterior. No entanto, uma associação ligada ao movimento curdo disse que o advogado, que era curdo, foi o verdadeiro alvo do ataque.

Elci, 49 anos, era o chefe da associação sediada na cidade curda de Diyarbakir. Ele foi brevemente detido e interrogado no mês passado por dizer, durante um programa de notícias ao vivo, que o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, não é uma organização terrorista. Logo depois, ele foi acusado de fazer propaganda terrorista, e estava enfrentando acusação que poderia levá-lo a mais de 7 anos de prisão.

A Turquia e seus aliados consideram o PKK uma organização terrorista e o governo tem intensificado os ataques contra o grupo nos últimos meses. O PKK tem lutado pela autonomia no sudeste da Turquia desde 1984.

O ministro do Interior turco disse que o ataque começou com duas pessoas disparando contra a polícia, de um ponto a cerca de 100 metros de distância de onde Elci estava falando. Um policial morreu no ataque. Ala disse que Elci morreu logo depois em um confronto entre a polícia e assaltantes.

O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu falou de duas possibilidades para a morte de Elci. "Uma é que após este ataque terrorista, os assaltantes mataram o sr. Elci", disse. "A segunda possibilidade é que Elci tenha sido pego no fogo cruzado". Davutoglu prometeu encontrar os culpados por meio de uma "transparente investigação" e prometeu não encobrir os culpados.

Elci recentemente relatou, em sua conta no Twitter, ter recebido ameaças de morte em razão de seus comentários na televisão em que defendeu os rebeldes. Autoridades declararam um toque de recolher no bairro Sur, onde o ataque ocorreu - um local de confrontos frequentes entre forças de segurança e jovens curdos. / ASSOCIATED PRESS

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