Advogado denuncia métodos brutais de alimentação em Guantánamo

Um advogado dos prisioneiros detidos pelos Estados Unidos na carceragem da base naval americana em Guantánamo, em Cuba, disse nesta quinta-feira que o Exército empregou métodos brutais para forçar detentos em greve de fome a encerrar seu protesto.Militares americanos prenderam em cadeiras com amarras os detentos engajados na greve de fome para alimentá-los à força, disse o advogado Tom Wilner, que visitou na semana passada o presídio mantido pelos EUA em Cuba e recebeu autorização do governo americano para divulgar suas impressões no fim da noite de ontem.A utilização dos novos métodos, segundo Wilner, começou em dezembro. Além de atar os prisioneiros a cadeiras com amarras, o Exército não permite que os detentos tenham acesso a itens qualificados como "privilégios" - cobertores, por exemplo.De acordo com o advogado, o novo tratamento é o motivo por trás da redução acentuada do número de prisioneiros em greve de fome. Dezenas de detentos participavam do protesto no fim do ano passado mas, atualmente, apenas quatro mantêm a greve de fome.Um porta-voz da carceragem não foi encontrado hoje para comentar o uso da cadeira com amarras. Ontem, o Exército americano informou que estava alimentando à força os prisioneiros em greve de fome, mas assegurou que não mudou seus métodos.Enquanto isso, o governo do Marrocos anunciou nesta quarta-feira que os EUA entregaram a custódia de três cidadãos marroquinos detidos em Guantánamo. Acredita-se que mais de 500 pessoas estejam detidas atualmente pelo Exército dos EUA na base. A maior parte dos prisioneiros foi levada à carceragem há aproximadamente quatro anos e é mantida sem que acusações formais tenham sido apresentadas.O governo americano suspeita que os estrangeiros mantidos em Guantánamo, a maioria detida no Afeganistão, tenha ligações com a milícia fundamentalista islâmica Taleban ou com a rede extremista Al-Qaeda, liderada pelo milionário saudita no exílio Osama bin Laden.

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