Oleg Stjepanovic/AP
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Advogado diz que família de Mladic pretende visitá-lo em Haia

Representante nega greve de fome do ex-general servo-bósnio, detido na semana passada

Agência Estado

06 de junho de 2011 | 15h33

BELGRADO - A família do ex-general servo-bósnio Ratko Mladic pretende visitá-lo na prisão para criminosos de guerra da Organização das Nações Unidas (ONU), localizada na Holanda, onde ele aguarda julgamento por atrocidades cometidas por tropas sérvias durante a guerra da Bósnia (1992-1995). A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 6, por Milos Saljic, advogado sérvio de Mladic.

 

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Saljic negou informações divulgadas por jornais sérvios de que Mladic teria ameaçado iniciar uma greve de fome e tenha parado de tomar seus remédios na prisão, em Haia, por causa dos pedidos que fez em relação a visita de familiares e sobre o financiamento de seu grupo de advogados.

 

Em Haia, a porta-voz do tribunal, Nerma Jelacic, disse à Associated Press que Mladic tem direito, pelas regas do tribunal, a escolher seu próprio grupo de advogados de defesa, a receber visitas de sua família e receber todo o tratamento médico necessário. Jalacic também disse que Mladic não está em greve de fome.

 

O ex-comandante do Exército servo-bósnio foi extraditado da Sérvia e levado para Haia na terça-feira passada, depois de ter sido capturado após 16 anos foragido. Ele foi detido numa vila do norte da Sérvia, onde morava com um parente.

 

Saljic disse que a mulher de Mladic, Bosiljka, e seu filho, Darko, receberão seus passaportes e vão viajar para Haia ainda nesta semana. Saljic, que é amigo de longa data de Mladic, disse que a família está em contato constante com ele. "A família acredita que seu tratamento no tribunal está correto agora", afirmou ele à AP.

 

Segundo Saljic, Mladic teve uma série de doenças enquanto estava escondido, dentre elas câncer e pelo menos dois derrames. De acordo com o advogado, Mladic ainda não escolheu seus advogados de defesa. Ele disse que a família ainda trata do assunto porque "não é algo que você decida de forma abrupta. É um assunto sério". Meios de comunicação sérvios dizem que a família de Mladic negocia com vários advogados de defesa russos.

 

Mladic é acusado de orquestrar o massacre de 1995, durante o qual morreram cerca de 8 mil muçulmanos em Srebrenica - a pior atrocidade contra civis ocorrida na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mladic também é acusado de manter a capital da Bósnia, Sarajevo, sob um cerco de três anos. Cerca de 100 mil pessoas morreram durante a guerra da Bósnia e milhões perderam suas casas. As informações são da Associated Press.

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