Advogado diz que Paquistão vendeu presos de Guantánamo aos EUA

Um advogado britânico de vários muçulmanos detidos na base de Guantánamo afirmou que muitos de seus clientes não foram detidos no Afeganistão, mas vendidos pelo Paquistão aos americanos, "como escravos em um leilão".Segundo Clive Stafford Smith, diretor legal da Reprieve, uma ONG que luta contra a pena de morte e as violações dos direitos humanos, o próprio presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, parece confirmar os testemunhos dos presos."Muitos membros da Al Qaeda fugiram do Afeganistão e cruzaram a fronteira com o Paquistão. Brincamos de gato e rato com eles. Capturamos mais de 698 e entregamos mais de 369 aos Estados Unidos", escreve Musharraf no livro "Na linha de fogo".Em um comentário publicado pelo New Statesman, o advogado dos presos de Guantánamo afirma que, em seu livro, Musharraf afirma que o Paquistão ganhou "milhões de dólares" com a entrega aos Estados Unidos dos supostos membros da Al Qaeda."Em vez de condenar ou encerrar o programa de pagamentos, o Ministério da Justiça dos Estados Unidos tentou estabelecer quem tinha recebido o dinheiro, que não estava destinado a Governos, mas a particulares", criticou Stafford Smith."Estes pagamentos nos ajudam a entender por que tantos inocentes acabaram em Guantánamo", acrescentou."Musharraf escreve que foram pagos milhões por 369 presos: a tarifa mínima era, aparentemente, de US$ 5 mil, dinheiro mais que suficiente para que qualquer pobre paquistanês decidisse entregar um árabe não desejado aos americanos, contando qualquer coisa sobre o que estava fazendo no Afeganistão", denuncia Smith."O presidente paquistanês reconhece que o país deteve mais de 600 suspeitos, mas fontes americanas indicam que o número pode ter sido muito maior. Dados oficiais recentes mostram que apenas 5% dos presos de Guantánamo foram capturados pelas tropas americanas", acrescenta o advogado."Os outros foram vendidos (aos americanos) pelo Afeganistão e pelo Paquistão. Mas, com certeza, o presidente (Musharraf) não deve estar muito preocupado com o destino dos dólares, já que se diz que a editora de seu livro, a Simon & Shuster, lhe pagou US$ 1 milhão antecipados", comentou o diretor da Reprieve.

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