Advogado diz que Sakineh sofria abusos

Durante relato a TV britânica, representante admite que ela participou da morte do marido, mas teria sido manipulada

, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Mohamed Mostafei, advogado de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento por causa de adultério, declarou ao jornal britânico The Times que sua cliente foi vítima de abusos e surras de seu marido durante anos. Segundo Mostafei, o homem era dependente de drogas e teria pedido que Sakineh se prostituísse para sustentar seu vício.

A iraniana é acusada de ter assassinado o marido e, semana passada, um vídeo com uma suposta reconstituição do crime, em que ela admite que o matou, foi veiculado por uma emissora estatal do país.

De acordo com o advogado, que desde julho vive na Noruega, a iraniana está "em uma situação difícil" e sua execução é iminente. Mostafei disse que é costume das autoridades iranianas mostrar na televisão pessoas que estão à beira da execução. Nas imagens, os condenados admitem os crimes e repudiam suas ações.

Violando a confidencialidade com sua cliente, o advogado explicou que Sakineh veio de uma família pobre da cidade de Osku e seu pai a havia obrigado a casar-se com um homem mais velho, Ebrahim Ghaderzade, que, desde o começo, "tratou-a brutalmente".

Para acalmar os ânimos, Sakineh deu-lhe dois filhos, mas não adiantou. Os abusos foram físicos e verbais. Ele não a deixou visitar seus próprios parentes e negou o pedido de divórcio. Em 2004, ela teria sido estuprada dentro de casa com a aprovação de Ghaderzade.

O advogado contou que o único consolo de Sakineh vinha de um parente solteiro de seu marido, Isa Taheri, que explorou a situação. Quando Ghaderzade o proibiu de entrar em sua casa, Taheri o teria ameaçado de morte. A iraniana, porém, resistiu à ideia e o parente teria dito que iria dar-lhe apenas uma injeção para perda de consciência.

Em 14 de setembro de 2005, foi isso o que ocorreu, segundo Mostafei. Após injetar a droga, porém, Taheri o eletrocutou, e Sakineh chamou as autoridades relatando um suicídio. O advogado disse que Sakineh era muito humilde e facilmente manipulável. / EFE

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