Advogados aguardam físico deportado em Paris

Adlène Hicheur, de 39 anos, professor-visitante da UFRJ, foi detido pela PF e colocado em um voo para a França na noite de sexta-feira

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 16h38

RIO - Um grupo de advogados franceses aguardava na tarde deste sábado, 16, em Paris o desembarque do físico Adlène Hicheur, de 39 anos, deportado pelo governo brasileiro nesta sexta-feira, 15, depois de viver três anos no Brasil. Professor visitante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Hicheur, argelino naturalizado francês, foi condenado, em 2009, a cinco anos de prisão pela Justiça da França, sob acusação de planejar atentados terroristas. As autoridades fracesas não fizeram qualquer manifestação sobre o assunto neste sábado, 16.

Em 2003, após investigações nos e-mails de Hicheur, que trabalhava no Centro Europeu de Investigação Nuclear, em Genebra, foram reveladas comunicações com um suposto responsável pela Al-Qaeda.

Depois de dois anos, o físico ganhou liberdade provisória e mudou-se para o Rio. Na noite de sexta-feira, 15, Hicheur teve de embarcar em um voo da TAP para Paris, via Lisboa, por determinação do Ministério da Justiça, que atendeu recomendação da Polícia Federal.

A UFRJ protestou, em nota divulgada na sexta-feira, 15,, contra a deportação do professor, mas não conseguiu evitar o retorno de Hicheur a França.

Na nota, a reitoria diz que foi surpreendida com a notícia da “sumária deportação do professor visitante Adlène Hicheur, pesquisador do instituto de Física”. A UFRJ reclama ainda que a ação se deu sem a preservação do direito de defesa.

“Advogados franceses solidários ao drama de Adlène estão no aeroporto para que ele não sofra arbitrariedade da polícia francesa. Temo que ele seja preso com base na lei antiterror da França, temo que o governo brasileiro tenha entregue Adlène ao governo francês”, afirmou na manhã de sábado, 16, o pesquisador Ignacio Bediaga, responsável pelo convite para que o físico viesse trabalhar no Brasil. “Ele já cumpriu pena, é um cidadão livre na França, mas como a saída dele foi completamente anômala, tememos que alguma arbitrariedade aconteça”, afirmou Bediaga, que trabalha no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Hicheur foi avisado de que seria deportado na manhã de sexta-feira, 15, em sua casa, na Tijuca (zona norte), quando fazia uma apresentação, por videoconferência, para pesquisadores do Centro Europeu para Física de Partículas. Ele foi levado por policiais federais ao Aeroporto Internacional no início da tarde.

A deportação aconteceu no dia seguinte ao atentado em Nice que matou 84 pessoas. A vice-reitora da UFRJ, Denise Nascimento, esteve no aeroporto para tentar impedir a deportação, mas não conseguiu evitar o embarque.

Em janeiro, a revista Época informou que a PF monitorava Hicheur em razão de suas supostas atividades terroristas, que o físico sempre negou. Na ocasião, o pesquisador pensou em retornar à França, mas foi convencido por amigos a ficar.

Em nota divulgada na sexta-feira, o Ministério da Justiça declarou que, “acolhendo recomendação da Polícia Federal e tendo em vista o indeferimento do pedido de prorrogação de autorização de trabalho no País, e dada a conveniência ao interesse nacional, autorizou a deportação sumária” de Hicheur. / COLABOROU ANDREI NETTO

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