Advogados de Biggs tentarão indulto

Depois de viver 31 anos no Brasil, o assaltante inglês Ronald Biggs, de 71 anos, que participou, em 1963, do assalto ao trem postal Glasgow-Londres, deixou hoje o País rumo à Inglaterra. As autoridades britânicas anunciaram que pretendem prender Biggs tão logo ele desembarque, mas os advogados dele ainda pretendem tentar negociar um pedido de indulto. Antes do embarque, o assaltante prestou depoimento à Polícia Federal (PF), informando estar viajando por livre e espontânea vontade.Biggs viajou num avião do tablóide inglês The Sun, que teria pago ao assaltante mais de US$ 500 mil - segundo informações do advogado do assaltante, Wellington Mousinho - para ter exclusividade em entrevistas e o direito de o acompanhar até a Inglaterra. Biggs, que usava um chapéu panamá e uma camiseta vermelha com o nome do jornal, viajou acompanhado de dez pessoas, entre elas, o filho Mike, ex-integrante do grupo Balão Mágico, o comparsa dele no assalto Bruce Reynolds, o médico particular Ricardo Mourilhe Rocha e jornalistas do diário inglês.No documento, assinado por Biggs, ele informa ter consciência de que está indo para a Inglaterra e de que será preso ao chegar lá. O termo especifica que ele foi informado antecipadamente da prisão pela representação consular britânica no Rio, amigos e familiares.Biggs sofreu três derrames e está impossibilitado de falar. O depoimento foi prestado pelo filho Mike, que exibia um boné com o logotipo do tablóide inglês, e, segundo policiais federais, adotou uma postura agressiva durante as declarações. O depoimento foi feito pelo delegado da PF no aeroporto, Victor Hugo Poubel. Segundo o delegado, embora estivesse com o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e a carteira de trabalho expirados, Biggs estava legal no País porque possuía um protocolo de permanência.O depoimento durou 15 minutos. Perguntado se gostaria de acrescentar algo ao depoimento, Biggs agradeceu ao governo e ao povo brasileiro pela "hospitalidade e carinho" que sempre recebeu enquanto esteve no País. Ele estava o tempo todo numa cadeira de rodas, mas, ao embarcar, subiu andando as escadas do avião. O depoimento foi acompanhado pelo médico e pelo cônsul-geral da Inglaterra no Brasil, Geoffrey Cowling, que também assinaram o documento. O assessor de imprensa da PF, Clóvis Ramos, informou que Biggs parecia lúcido e compreendia tudo o que era falado.O avião no qual o assaltante viajou fará uma escala na Ilha do Sal - possessão portuguesa na África -, depois de 5h39 de vôo.O objetivo da escala, prevista para durar cerca de uma hora, é reabastecer. Mas, segundo informou Mousinho, do território português, seria feita uma última tentativa de negociar o pedido de indulto para o assaltante. Ao todo, a previsão era de que a viagem dure 12 horas 40 minutos e que Biggs chegasse à Inglaterra às 7 horas (horário de Brasília) desta segunda-feira.A empregada doméstica Rosalina Pereira dos Santos, de 51 anos, que trabalhou para Biggs durante 22 anos, esteve no aeroporto para se despedir do patrão. Chorando, ela afirmou que Biggs é um excelente amigo e um ser humano fantástico. "Espero que, lá, tratem dele com dignidade, respeito e consideração. Que possam ver todas as coisas boas que ele fez", disse.

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