AP Photo/Ross D. Franklin
AP Photo/Ross D. Franklin

Advogados de crianças imigrantes denunciam caos e negligência

Segundo médicos e defensores públicos, menores imigrantes estão traumatizados e encontrar seus pais é tarefa complicada em meio à bagunça do governo americano

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2018 | 10h56

TEXAS - "Um processo caótico", "uma loucura". Com muito trabalho em razão do impacto da política de separação familiar, que deixou mais de 2.300 crianças imigrantes separadas de seus pais na fronteira com o México antes de ter o fim decretado pelo presidente Donald Trump, advogados trabalham como "detetives particulares" para reunir as famílias e denunciam a falta de planejamento do governo americano.

Várias organizações defendem legalmente e de maneira gratuita menores de idade sem documentos que entram sozinhos nos EUA pela fronteira sul. E os grupos dizem estar sobrecarregados. "Estamos lutando muito para atender às necessidades dessas crianças" e dos menores que chegam realmente sozinhos aos EUA  "com necessidades tremendamente complexas", explicou a presidente da KIND, Wendy Young.

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Os milhares de menores de idade que chegam ao país sem documentos todos os anos não têm direito a um defensor público. Se não encontrarem ajuda legal gratuita ou não puderem pagar, precisam defender a si próprios nos tribunais. Wendy assegurou que o governo não tem um plano para se assegurar de que as famílias separadas possam se comunicar ou se reunir em breve. "Continua sendo um sistema caótico", afirmou.

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"Sinto que meus serviços legais se tornaram como os de detetives privados, tentando ligar os pontos com a pouca informação que temos, podem ser os nomes das crianças, a data de nascimento (...), mas às vezes os dados estão incorretos." A diretora para direitos dos imigrantes na Comissão de Mulheres Refugiadas, Michelle Brané, chamou a falta de planos de reunificação de "loucura" e relatou as dificuldades para conectar pais e filhos quando estes são pequenos.

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"Às vezes, eles não sabem seu nome completo e só são registrados com o apelido", contou, relatando o caso de uma menina registrada como menor de dois anos, que usava fralda, falava quiché, uma língua maia, e ninguém a entendia. Depois de muito trabalho, Brané descobriu que ela tinha na verdade quatro anos. Seu nome era outro e sua tia estava detida "no mesmo centro, trancada em outra jaula".

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Alan Shapiro, médico da Academia Americana de Pediatria, disse ter visto em centros de detenção crianças com atraso de desenvolvimento, que antes falavam e agora não falam, que estão ansiosas e retraídas. Disse que o pior caso que viu foi o de um menino "mordendo o braço, como um comportamento de automutilação", e descreveu as condições "realmente duras" com crianças em jaulas, que passam frio e com comida de má qualidade e atendimento médico quase inexistente. 

Trump advertiu que a "tolerância zero" contra a imigração ilegal continua. / AFP

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