AFP PHOTO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / JOE RAEDLE
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Advogados de Trump ameaçam processar Bannon após declarações contra assessores do presidente

Defensores do presidente americano alegam que ex-chefe de Estratégia na Casa Branca violou acordo de confidencialidade assinado com Organização Trump ao fazer comentários ao jornalista Michael Wolff e dizem que ação legal é iminente

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 09h33

WASHINGTON - Os advogados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviaram uma notificação ao ex-chefe de Estratégia na Casa Branca Steve Bannon para que ele pare de falar publicamente sobre o período em que trabalhou no governo americano.

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O documento, entregue na noite de quarta-feira, alega que os comentários de Bannon ao jornalista Michael Wolff, que serão publicado no dia 9 no livro Fire and Fury: Inside the Trump White House (Fogo e Fúria: Por dentro da Casa Branca de Trump, em tradução livre), violam o acordo de confidencialidade no emprego que ele assinou com a Organização Trump.

Os representantes legais do republicano também pediram que Bannon pare de divulgar informação confidencial ou depreciativa e preserve todos os registros em preparação para "ações legais iminentes".

"Você rompeu o acordo ao, entre outras coisas, se comunicar com o autor Michael Wolff sobre o Sr. Trump, membros de sua família e da Organização, revelando informações confidenciais e fazendo declarações depreciativas e, em alguns casos, declarações difamatórias ao Sr. Wolff sobre o Sr. Trump, seus parentes e a companhia ", diz a carta assinada pelo advogado Charles Harder. 

Em comunicado, Harder disse que os comentários de Bannon o expõe a "inúmeras reivindicações legais, incluindo por difamação por calúnia e violação de seu acordo de confidencialidade e desrespeito com nossos clientes". "A ação legal é iminente", diz o defensor de Trump. Os advogados de Bannon ainda não comentaram as medidas.

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A crise

Na tarde de quarta-feira, Trump rompeu publicamente com Bannon, a quem acusou de ter perdido a razão. Momentos depois da divulgação de trechos do explosivo livro, no qual Bannon critica pessoas próximas e parentes do presidente, Trump emitiu uma nota para afirmar que o ex-funcionário "não tem nada a ver comigo nem com a minha presidência".

"Quando foi despedido (da Casa Branca), não só perdeu seu trabalho, mas também perdeu a razão", afirmou o presidente. Trump também acusou Bannon de vazar informações falsas quando estava na Casa Branca para aparentar ser mais importante do que realmente era, de não ter feito contribuições importantes à vitória eleitoral e até do fracasso em uma eleição local no Alabama.

Além disso, Trump indicou que Bannon "finge estar em guerra com meios de imprensa, aos quais chama de 'partido da oposição', mas passou seu tempo na Casa Branca vazando informação falsa à imprensa para parecer ser mais importante do que é". "É o único que faz bem.

A porta-voz da Presidência, Sarah Sanders, disse que o livro "só pode ser descrito como ficção de tabloide lixo, por pessoas tristes que buscam desesperadamente ter alguma relevância".

Críticas ao entorno de Trump

Em seu depoimento para o livro, Bannon ataca sem piedade pessoas próximas ao presidente, como seu filho Donald Trump Jr, seu genro Jared Kushner e seu ex-chefe de campanha Paul Manafort.

Bannon afirma, por exemplo, que uma reunião mantida por Trump Jr, Kushner e Manafort com uma advogada russa em junho de 2016, em plena campanha eleitoral, foi uma "traição". "Ainda que alguém pensasse que isso não é traição, que tampouco é antipatriótico, ou que simplesmente é uma m... - e eu acho que foram as três coisas -, alguém deveria avisar o FBI imediatamente", disse Bannon segundo trechos adiantados do livro.

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Também afirmou que os três eram responsáveis por colocar em risco a Presidência de Trump por atrair a curiosidade dos agentes do FBI, não por seus contatos com funcionários russos, mas por seus negócios obscuros.

"O caminho para ferrar Trump passa por Paul Manafort, Donald Jr e Jared Kushner. É tão claro quanto um cabelo no rosto. Passa pelo Deutsche Bank e toda a merda de Kushner. Toda essa merda de Kushner é suja", declarou.

Bannon ganhou notoriedade como editor de um site de ultradireita e é considerado próximo aos supremacistas brancos americanos. Tornou-se assessor de Trump em 2016 e depois das eleições ocupou um cargo-chave no governo, o de chefe de Estratégia, até sua renúncia em agosto.

Desde que deixou a Casa Branca, Bannon se dedica a apoiar os candidatos mais à direita do Partido Republicano e nunca escondeu certo distanciamento pessoal do presidente Trump. / WASHINGTON POST e AFP

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